terça-feira, 30 de dezembro de 2014
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Que tipo sou eu?
A
carência anda me consumindo, sabe? Ela é normal pra mim, me fazendo companhia
nos sábados à noite em casa, nos finais de dia, quando o sol já morno acaricia
minha pele. Eu estou cansado de algumas coisas, de algumas pessoas, de algumas
mesmices. Eu devo é superar um monte de coisas: umas pessoas que tão cagando
pra mim e eu tô cagando pra elas também. Superar aqueles que não estão
satisfeitos comigo, sendo que o único que deve ficar satisfeito comigo, sou eu
mesmo! Contudo, não é fácil não pensar que tipo de pessoa sou eu, que tipo? Por
que já defini que não sou do tipo apaixonante, embora tenha vontade de ser. Não
sou do tipo amado por todos e conhecido por todos, pois não sei forçar a barra.
Acho que sou chatão e desagradável tantas vezes. Eu não tenho paciência. Eu não
tenho a bendita da paciência pra um monte de coisas, e particularmente,
ultimamente tenho ainda menos. De todo modo, ao excluir pessoas que me fazem
mal, eu preciso de um preenchimento na minha vida, de uma abundância. Às vezes
acho que pra seguir adiante eu devo fazer as pazes com o passado. Mas eu creio
que meu passado é tão ridículo e ao mesmo tempo não assustador, que tenho medo
se quer de imagina-lo. Desculpe Victor, Desculpe Guilherme, Desculpe Gabriel,
Desculpe Matheus. Desculpem-me todos que eu não pude ser mais. Desculpem por
meu corpo, pela minha voz, pela minha chatice, pelo meu vazio. Desculpem por
não termos passado de algumas fases... Desculpem por temos passado de umas
importantes, e nem termos nos dado conta. E eu não presto contas a vocês não,
já que sei que a culpa é toda minha. Eu não sou o bastante e nunca vou ser, uma
vez que sou completável, mas não completo coisa nenhuma. Desculpem-me por não
termos sido nada. Só agora vejo o quão sem futuro eu sou, o quão sem Gabrieis,
Guilhermes, Victors e Matheus eu serei. Sem Lucas, Pedros, Leonardos, Vinicíus
ou Josés. Só Marcos. Só eu, cru e assim meio sem o que dizer. Minha vida não é
um filme dos anos 90, mas poderia ser se música e romance não existissem. As
pazes com meu passado nunca serão feitas. Minha voz está rouca demais e trêmula
demais pra isso. Eu gostaria de um futuro, que pressinto quando a brisa bate em
meu rosto e sinto o sangue pulsar em mim. Quando eu sei que estou vivo e faço
parte do mundo. Talvez haja esperança afinal, com as pazes no futuro, e sei lá,
quando eu esquecer quem sou.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Fins
Me sinto uma péssima pessoa às vezes. Eu olho para minhas
redes sociais e reconheço alguns rostos... Rostos esse que compartilhei
histórias, risadas, umas infelicidades e momentos legais. Estas feições agora
me cobram tempo, atenção, atitude. E eu não correspondo. Não tenho a mínima vontade
de corresponder. Na minha jornada, ou se isso soar dramático demais, no caminho
que segui e amadureci, me libertei de algumas amarras, da moralidade, dos
julgamentos, de alguns preconceitos e superficialidades. E essas pessoas estão
dentro disso. Elas me lembram dum ser que fui, mas não me reconheço mais. Então
é isso sim, eu não quero mais ser amigo de vocês. Não temos nada em comum, e
reconheço que temos uma história... Mas eu desisto dela. Não quero mais escrevê-la.
Não negar, mas seguir em frente. Estou sendo um canalha, um ser desprezível, eu
sei. É errado simplesmente me livrar das pessoas assim. As dispensa-las. Mas eu
mudei, vocês não ou se mudaram, continuamos sem uma identificação
significativa. Podemos seguir em frente? Podemos apenas curtir as fotos novas
um do outro na rede social, sem forçar nada? Podemos parar de fingir que ainda
temos algo em comum? Será mais fácil para todos. Aceitar que estamos em
estágios diferentes agora. Amizades são relacionamentos, e não estão livres de
desgastes, distanciamentos e fins. Fins. Peço perdão por usar essa palavra tão
pesada, sem nem mesmo um atenuante, um eufemismo. Mas é isso, é fim. E zelo
pelo que vivemos, mas... É hora de seguir em frente.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Você vem.
Você
vem, triste demais. Você vem, dizendo que não presta, que não sabe se apaixonar.
Era um cara tipo desses, que antes de ser apresentado a alguém, logo alertam
para a tal pessoa “olha, esse é meio triste” “sim, ele é meio deprimido, não
sai muito de casa”. Ficas confuso, em como logo te expurgam, logo te excluem.
Oras, seus próprios amigos dizem que não prestas, que és um peso. Você, sempre
triste demais, pensa sempre demais. Acende um cigarro, e fica embriagado com a
própria fumaça. Gostas da pressão baixa, da sensação de perda que um Marlboro
pode-lhe dar. Você é desses tristes sim, sozinhos e melancólicos demais. Mas
tristeza não é algo que deva ser temida. Ela faz parte, ela te conecta com o
que você tem de mais puro, lá dentro, pulsando, ainda vivo e quente. Tristeza
não deve ser uma constante, mas afastada também não.
“Mas
olha, ele é desses deprimidos, coitado”. Coitado não, babacas! Bobocas! A
melancolia dele, o seu sofrimento, seu desanimo pra sair, sua vontade de filmes
preto e branco, músicas da Nora Ney aos sábados desertos em casa é só... Ele. É
o que ele é. Não precisa dessa obrigação de uma foda, uma trepada, um sexo
sempre. Conversas consigo mesmo, cantas consigo mesmo, embebeda-se consigo
mesmo. Faz sexo consigo mesmo. E o que tem de errado nisso? Errado é uma ova!
Você
vem, triste demais. Mas essa tristeza acalma, apazigua, traz paz. Sua
constância, sua certeza, seu jeito de “não quero isso mais, mas continuo a
sorrir”... Alguns entendem.
Apaga
o cigarro. Acaba Nora Ney e começa Nina. Sentes que estar nu em sua casa é a
melhor coisa do mundo. Nem mesmo um Big Tasty do Mc Donalds o faria mais feliz.
Nem mesmo sentir-se completo faria mais feliz. Quem sabe ali, naquele momento
só, fosse sim a sua alma completa. Não da forma como é imposto, ao lado de
alguém.
Acende
um cigarro, e falas consigo mesmo em francês, pra treinar, diz. Você é desses,
misteriosos e sem querer, sexys. Daqueles com cabelo na metade do olhar,
sorriso inocente, tênis sujos e um gosto irremediável por café.
Você vem, triste
demais. Traz paz ou angustia. O último para aqueles que, por medo, por
desconhecimento, por ignorância, por burrice ou simples soberba, acham que são
felizes demais para um dia serem vulneráveis. Para um dia serem como você. Para
um dia, estarem em casa, olhando pro teto, no chão da cozinha, fumando e pensando
em tudo que fez, em tudo que fará e em como o mundo é ruim, e você uma merda,
triste, doente e inútil, mas... Que tudo pode melhorar.
Mesmo
que venhas triste demais, venhas. O mundo não é só luz, nem só sombra. O mundo
não é só Paris, nem só São Paulo. O mundo não é só café preto e amargo, ou
cappuccino doce. O mundo é plural. O mundo não é só sexo a dois, o mundo não é
só penetração com um pau só. O mundo é maior do que tudo isso. O mundo tem
muita gente. Muita gente muito feliz, muita gente muito triste, muita gente que
é tudo e nada. Mesmo que venhas triste, venha.
Acenda
teu cigarro, mesmo com o câncer iminente. Fume seu beck, mesmo que isso
signifique umas besteiras a mais. Mesmo triste, mesmo melancólico, mesmo sem a
certeza de amanhã, venhas sendo você mesmo. E só você.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Os Momentos Que Amei
Quando
você sentou do meu lado no intervalo da escola, me ofereceu seu lanche e sorriu
pra mim, eu te amei. Quando você voltou pra casa comigo e disse que estava
feliz em fazer novos amigos, eu te amei. Quando me senti diferente, eu te amei. Quando você não sabia da minha existência, e
eu perguntava de você para nossos amigos em comum, eu te amei. Quando você
disse que amava outro, mas que o queria esquecer, que gostava de mim, eu te
amei. Quando você ficou bravo por que não te liguei, e eu me assustei de estar
tão perto de alguém, eu te amei. Quando você disse que me colocaria na parede,
que me beijaria e tiraria minha roupa, eu te amei. Te amei até mesmo quando
você me ligou e disse que não queria continuar, que seu vazio continuava lá, e
que nem mesmo eu poderia te salvar. Quando te vi meses depois, com outro e
chorei, eu te amei. Quando você voltou, pediu desculpas e disse que tudo
passaria, eu te amei. Quando você disse que estava apaixonado, que sentia pela
distância e que me queria, eu te amei. Quando sabia que éramos acima de tudo
amigos, mas almas idênticas também, eu te amei. Quando, por alguns segundos em
nossa breve história, você me fez rir e lembrar os velhos flertes, eu te amei.
Quando me beijou, eu te amei. Amei todos vocês, mais um do que outros. Alguns
nunca reconhecerei que amei, mas outra parte de mim fala que é possível amar
nem que seja por alguns segundos, então talvez sim, tenha amado todos por ao
menos algum instante. Amei vocês, por esses tempos infinitos, mais do que a mim
mesmo. E acho que esse tipo de amordorveneno, me fez viciar em vocês.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Seus Infinitos
Apaguei a primeira linha várias vezes, sem
saber como começar. Hoje teve tanta coisa e tanta coisa do mesmo que tudo ficou
meio misturado. Passei o dia todo com uma vontade incontrolável de chorar. Quis
chorar pela dor dos outros, quis chorar pela minha própria dor. Antes de
dormir, ainda sensibilizado procurei alguém pra conversar. Sabe o que é não
encontrar ninguém? Aquele seu amigo, ou aquela sua amiga, ou aquele cara que
você sempre achou mais especial. Ninguém parecia ser passível de ser chamado,
de ser convidado a entender o que eu sentia, ou o nada que me fazia. Eu estou
triste agora. Triste porque tudo anda apático. Pensei nessa palavra esses dias.
Quis escrever só sobre ela e sobre a maneira como ela me define e define esse
momento. Estou apático pra tudo a minha volta, sem muita cor, sem muita paixão.
Vou pra faculdade, assisto as aulas, vou pro trabalho, converso, vou até a
festas. Mas estou tão inerte a tudo isso. Não quero ir a faculdade, nem ao
trabalho. Não quero ir a festas. Quero ficar em casa. Mas ao mesmo tempo penso
no tanto de vida que posso estar perdendo lá fora. O cara animado dentro de mim
ainda consegue ver um mundo atraente. Onde as pessoas não te excluem com um
simples toque. Onde as pessoas se preocupam com quem você realmente é. Sem
preocupação com estilo ou beleza. É só a bacaneza do ser, nada mais.
Enfim. Estou pensando em tudo isso, e tudo
isso me deixa aflito agora. Porque eu estou cansando. Porque eu quero desistir
do meu curso, das pessoas, de tudo. De mim. Inventar um personagem que seja
mais bem aceito ou que seja mal e pare de sofrer com as maldades do mundo.
Inverter o jogo ao meu favor. Ser egoísta a ponto de querer só a minha
felicidade. Pois parece que ninguém verdadeiramente se importa com a minha. Eu
estou cansado, estou muita coisa como podem ver. Impotente, oprimido, quase um
desistente. Mas ainda estou aqui.
A minha dor pode não ser a maior do mundo,
nem o meu vazio o mais profundo do universo. Mas dentro do meu pequeno ser,
eles são infinitos.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Vende-se uma festa na minha casa
Você chega. Amarram-te
uma fita de pano no pulso e dizem “boa festa”. Você não conhece ninguém, mas
ama a vibe porque sente falta disso em sua vida. Tem aquele cara de dreads. Tem
aquela garota de saião florido. Tem a mina largada e o cara de saia. Tem
aqueles tipão estranho tomando uma breja. E você ama tudo isso. Entra na casa e
há frases nas paredes, e desenhos e palavrões. Falam da mãe, do sexo, das
besteiras. Fazem um rabisco no mundo e uma afronta à moral e aos bons costumes.
Olhos vidrados. Tem um papo meio marxista, meio machonheiro, meio de esquerda. As minas falam de elitizado e você
se sente mal por ser daquela universidadizinha
cara. Ri de si mesmo. Tu tá numa puta festa, com um povo afinzão de chá e que
te aceita do que jeito que é. Você pensa “que festa irada!” e dá uma vontade
louca de conversar com todo mundo. Tá chapadão e troca uma ideia, bola um beck e nossa que puta festa!
Olhando a parede,
imaginando essa festa toda na sua casa, vem um mundo inteiro e colorido na sua
cabeça. Onde estão as outras pessoas do universo? Enfrentei meus limites, os
superei. E de repente nessa vibe super louca e vibrante aparece uma galera
correndo. Eita. É tiro? É tiro! O coração dispara e tu pensas se é a polícia.
Agora sou maior de idade, que ca*****.
As pessoas agacham e uma mina louca vem e desliga o som. A parada é séria. Ainda
se usa parada? Você vai para o chão e imagina a vida toda... indo. As pessoas
se olham e pensam “que puta festa”. E você percebe que não é a polícia coisa
nenhuma, é um vizinho frustrado que não ejacula que decidiu pegar sua arma e
atirar em pobres universitários que apenas queriam se divertir. Que puta festa.
Os cincão valeram a pena! Agora, em
meio a esses tiros, e esses gritos, a esses “tem alguém ferido?” você procura
seus amigos. Imagina se um deles morre?
Corre que nem doido, com uma galera que nem se abalou com ocorrido
atrás. Acha a amiga e o amigo e decidi ir embora. Que puta festa. Mas teve
tiro! Teve tiro!!! Sai pegando a carona e desejando uma boa sorte pra todos.
Para aquele cara de dreads, a mina de
saião, o cara de saia e a galerinha florida, paz e amor, maconha e Marx. A
festa acabou. Que puta festa. A volta é uma viagem só e um desejo incontrolável
de escrever sobre ela. Que puta festa.
terça-feira, 29 de julho de 2014
A nada triste história de Catarina
Catarina tem problemas.
É o que ela acha. Acha estranho as pessoas sempre fugindo, se esquivando. Ela
na faculdade é um doce, simpática, dedicada e sempre conversando com a maioria se possível. É claro que muitos a desagradavam; aquelas meninas fúteis
preocupadas com os veteranos, aqueles meninos pedindo para ela fazer o trabalho
por eles. Qual a razão de estar na faculdade mesmo? Mas tudo bem, Catarina sabe
tirar um ensinamento de todos... Até mesmo desses que, afinal, ensinam ela a
não ter laços sérios com certos nichos, não é? Contudo, sem preconceitos. Tão
bacana assim a moça só pensa em como seus relacionamentos não davam certo. Ria.
Relacionamentos não é a palavra certa. Foram casinhos corriqueiros. Conheceu
alguns em festas, amigos de amigos e coisa e tal. Não se arrependia. Aprendeu
algo com todos, esse era o dom. Mas afinal o que a impedia de passar da
primeira semana? Lembrando que ultimamente estava difícil passar do primeiro
dia. Ela não é do tipo grudenta, chata, enjoativa. E se eram assim com ela, ah,
ela tinha medo. Mas não era mesmo. E não é. É boazinha, bacaninha, aprendeu que
não é certo ficar correndo atrás, que as pessoas são fechadas mesmo e pra não
sofrer tem que respeitar e ser assim também. Então ela não se apega, ou melhor,
não demonstra. Pois qual o problema de sentir algo bom enquanto conversa com um
cara por algum tempo? Tem algo errado em gostar de conversar? Já virou um crime
isso? Catarina não chegou a pesquisar mas acredita que não.
No entanto, qual o
problema? Seria justamente ser fechada? Desgrudada e até descomplicada? Ela
repensou. Os homens fogem das grudentas e das livres. O que resta? Como existem
relacionamentos nesse mundo então? Catarina fica triste, não que ela seja. Não,
não. Ela é feliz, faz uma boa faculdade e seu cabelo está em sua melhor fase sem dúvida. Mas tem dias... Ah tem dias que um ombro é a melhor coisa do mundo.
Pode até ser o de mãe, mas vocês sabem que ombro estamos falando aqui, né? É
aquele ombro forte, onde sentimos que nada de mal vai nos acontecer. É aquele
colo protetor, mas sexy também. Isso ela tinha falta. Uma falta de algo que
nunca existiu. Uma semana lembrou. Esse era o máximo.
Maldição. Catarina é uma boa garota. Lê
bastante coisa, entende de arte e música. Vai a baladas alternativas porém
também conhece a ópera. Ama moda e entende tudo dessas coisas ai. Mas qual o
problema com você Catarina? Pensou em ser lésbica, o mundo gay parecia tão mais
promissor. Meninas eram doces, delicadas, perfumadas. Mas ela tinha uma coisa
por barba... Uma queda, um turbilhão de coisas se passavam na cabeça dela
quando via uma barba sexy, coisas nada saudáveis diria um pastor. Então sim,
ela gosta disso que habitualmente chamamos de pica. Ela nem é do tipo
nojentinha que não põe na boca. Seria isso? ELA É RUIM DE CAMA? Meu Deus, ai
está a explicação! Catarina não sabe transar! Nada mais fácil, bonita ela é,
inteligente também, não é pegajosa. O sexo era o problema. O que fazer então?
Só existe prática pra resolver esse tipo de coisa, eu suponho.
Catarina cansou-se.
Ela se sentia sozinha muitas e muitas noites. Mas é feliz. É satisfeita, pois
tem amigos. Catarina agora tá meio feminista. Não espera o príncipe. Nunca
esperou, diga-se de passagem, mas agora ela vê mais claramente. Ela não tem
culpa de nada. Ela não é ruim coisa nenhuma. Se não deu certo até agora é porque
não deu, oras. Os caras também... Eram todos uns babacas, infantis. E ai entra
a culpa dela, em escolher sempre esses barriguinha sarada. Gostosos pra
caramba, mas que não entendem uma mulher. Pois ela já é mulher, mas que
infelizmente se apaixona por meninos.
Catarina não quer
que esse texto vire texto feminista motivacional, muito menos texto pra ser desmembrado
em vários trechos e colocado em imagens com fundo triste, para serem
compartilhadas no facebook por meninas tristes. Catarina é feliz e quer que
todas sejam. Catarina não tem culpa de nada. Ela é do jeito que é, e se um dia
acontecer essa coisa que todo mundo chama de amor, beleza. Caso contrário, esse
ombro que ela tanto anseia tem que ser substituído, o ser humano não se adapta a
tudo mesmo? Então vai lá menina. Viva sua vida, que veja só, é sua. E de mais
ninguém.
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Solidões Contemporâneas
De repente você
está no seu quarto, se sentindo incompleto. Eu não sei bem definir o que é
isso, é meio inexplicável, meio incabível. Afinal, o que nos falta? Você pode
abrir qualquer rede social, mas o vazio vai persistir. Talvez melhore se
colocar aquela música gostosa que está na sua cabeça nessa semana. Talvez
melhore se conversar com um gringo, treinar seu inglês e quem sabe ligar a cam
e descobrir alguém novo – que muitas vezes é um senhor de 65 anos tarado. Contudo,
porque não tentar? A gente tá nesse barco mesmo, com insônia, sozinho, com
preguiça de mais pra pegar um artigo relevante pra ler, tudo porque depois das
10 horas parece meio difícil exercitar a leitura.
Então, nos deparamos
com nós mesmos. A TV ligada pra amenizar a falta de diálogo. A música tocando para
nos preenchermos. E a incerteza se isso vai passar. Bobagem. Uma hora o sono
vem e tudo isso vira história amanhã. E depois de amanhã quando acontecer de
novo vamos nos esquecer que sobrevivemos da última vez.
Mas sabe o que é? É
que sabemos que vamos sobreviver a essa angústia, mas é doloroso demais
imaginar que ela passará somente na manhã seguinte. O que fazer agora? Tentar
com a ajuda do Jô Soares nossa recuperação sentimental e psicológica.
Finalmente cheguei
nos termos psicológicos que afinal definem esse texto. Pois ora, é obvio que se
você chegou até aqui percebeu que nada tá muito normal e nada faz muito
sentido. Mas estou assim, meio perdido, meio com medo, meio triste, meio vazio.
Meio tudo e meio nada. Fim.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Você
Você me manda
mensagem pela manhã. Não respondo. Estou decidido a prestar atenção na aula e
ser um bom aluno. No intervalo pego o celular e respondo. Falamos de coisas
triviais. Você está no banco, pegou uma fila enorme, mas precisa voltar porque
esqueceu os documentos. Te chamo de idiota. Você fala da sua cachorra e eu não
dou a mínima para cães. Me convida para sair. Eu digo que sim, mas sem muita
confiança, tenho preguiça e um pouco de receio. Conversamos mais e você
novamente me chama pra ir a sua casa. Dessa vez eu aceito. Na sexta combinamos.
Durante a semana nos falamos sempre e eu começo a gostar e achar que você gosta
de mim. É meio que uma fórmula isso, mas com você desde o começo eu levei meio
com a barriga, não tive interesse. Não mais. Chega sexta. Você se oferece pra
me buscar na faculdade. Recuso. Não sou desses. Digo que vou pegar um ônibus e
que pode me buscar no ponto. Tomo o ônibus. Meu Deus como seria ótimo ir de carro,
mas lembro que não sou desses. Chego ao destino e te mando mensagem. Você logo
aparece num carro que nunca vi antes em minha vida. Entro. Damos um beijo e
começamos a conversar. Você me fala de suas viagens e eu pergunto mais da sua
vida. Você não me pergunta muita coisa. Acho estranho. Na verdade acho todo o
papo meio estranho, meio forçado. Não era assim por mensagens. Chegamos a sua
casa. Tem muito verde e você mora num chalé nos fundos. É de tijolinhos e
lindo. Entro. A decoração me impressiona. Livros de francês e yoga nas
prateleiras de madeira polida. Cores fortes e quadros. É incrível. Estou na sua
casa ou em uma casa de novela? Você me oferece água e pergunta se vamos ver o
filme do Allen. Eu confirmo. Começamos a assistir em seu notebook. Você quieto.
Achei que talvez nessas ocasiões de filme com pretendentes as pessoas se tocam.
Nada. Seu cheiro é bom e eu quero te tocar. Me contenho. Quero falar do seu
cheiro e atacar sua pele, te devorar. Você também está se contendo ou apenas
assistindo o filme? Damos algumas risadas, mas sem conversar. O filme termina.
Conversamos sobre suas tatuagens e os idiomas que fala. Me pergunta se quero
ver sua dispensa afinal tu é um vegan meio estranho, que medita. Eu topo. Na cozinha
há batatas, cebolas, e coisas secas e em pó. Dou risada. Nunca vi uma dispensa
tão sem graça. Você diz que é saudável. Eu acredito. Encosto na parede e você na
pia. Reparo que estou encostado e lembro que me disse certa vez que me queria
na parede. Me beijar e me despir lá. Te olho de um jeito engraçado. O meu sexy.
Você percebe e sorri. E é lindo. Quero te beijar. Você vem e rouba um beijo
meu. Até hoje eu sinto o gosto. Finalmente seu cheiro está em mim e eu estou
louco. Você me puxa até você. Abusa. Para e diz que ainda não conheço seu
quarto. Dou uma risada e digo que é verdade. Te sigo. O quarto é no segundo
andar e não gosto de escadas circulares desse jeito. Vou com calma. Quando
chego você já está lá em cima. Olho pro chão e quando retomo meu olhar você
está perto. Me beija. Eu pego no seu cabelo loiro. É comprido e macio. Te jogo
na cama. As janelas estão abertas e o sol quente da tarde entra. Subo em cima
de você e te beijo. Sua boca é a mais macia que já experimentei. Nos beijamos.
Desço até seu peito. Mais beijos. Desço mais e você já sabe. Abaixo sua cueca
preta. Estou feliz que não foi propaganda enganosa. Te chupo. Você de olhos
fechados. Volto e te beijo. Seu gosto em sua boca. Você me empurra. Sobe em
cima de mim. Passo a mão em suas costas e você transpira. Desce minha cueca.
Sinto o pequeno prazer de sempre, mas gosto. Nos beijamos, muito. Não quero
tornar isso obsceno. Terminamos. Nos jogamos na cama, nus. Ficamos ali parados.
Eu nunca passei isso com ninguém antes. Estamos abertos, meio abraçados e
pelados na cama. Não falamos nada. Digo que preciso ir embora. Você fala “justo”.
Entendo o porquê. Nos beijamos mais, nossos corpos e sexos se encostando. Você
diz que é chato em primeiros encontros. Pergunto, sem querer resposta, se isso
quer dizer que teremos um segundo. Nos beijamos. Levanto e me visto. Você
também. Saímos de sua casa, o sol está se pondo. Tento puxar papo no carro.
Você me fala da festa que irá sábado. Não pergunta sobre mim. Acho estranho.
Não flui bem. Nada. Me deixa no ponto e te dou um beijo no rosto. Pego o ônibus
de cabeça baixa. Estou triste, decepcionado. Sei que você também. Não foi bom,
não foi quente. Foi morno. Não te quis com o maior dos desejos. Penso que
talvez seja sua falta de assunto desde o começo. Sua falta de interesse. Por
que então me beijou? Por que trocamos essa experiência? Decepcionado. Penso se
sou o problema. Acho que talvez sim. Penso se é você. Pelo meu histórico talvez
não. Sigo pra casa. Acabou. Ou melhor, nem começou.
Os porquês.
Dia desses estive
pensando. Pensando nos amores passados. Amores não, não foi amor. Pensando nos
começos de sentimento.
Tentei entender o
porquê de tudo sempre dar errado. Desisti. Na minha auto reflexão notei que simplesmente
não tenho respostas. Não tenho um feedback. Sabe o quanto é difícil acumular
mágoas porque sempre após o fim você simplesmente desliga o telefone e chora,
ao invés de pedir explicações?
Eu sou assim.
Quando é ruim, mal construído, quando acaba eu não sei protestar. Não sei
gritar e dizer “MAS EU NÃO FUI SUFICIENTE?”. Essa falta de sal, essa falta de
senso, essa falta de vontade de viver me torturou, me tortura. E é por isso que
consigo lembrar de alguém que me largou há dois anos atrás sem pestanejar. Não
pedi explicações. Não sei se sou culpado e isso me corrói. Me tortura. Me deixa
incapaz. E sempre quando conheço alguém novo e possivelmente especial me vem a
tona que talvez eu enjoe a todos, deprima a todos, chateie a todos, faça todos
fugirem.
Gostaria de
respostas. Saber em qual parte foi o problema, se rolou um “não é você, sou eu”,
se posso ser especial. Se um dia a corrosão acabar, se a auto confiança dominar,
talvez eu pare de ter esses delírios e mantenha de uma vez por todas aqueles
tais bem escondidos no fundo do guarda-roupa.
domingo, 29 de junho de 2014
Bolha
Na minha primeira aula na faculdade no curso
de publicidade, diga-se de passagem, tive contato com meu professor de criação.
Já nesse dia ele discursou sobre nossa bolha. E de como era necessário
expandi-la para ser um publicitário e principalmente um criativo. Ele contou
sobre a importância de ter contato com as mais variadas coisas, de visitar,
conhecer e experimentar o que de imediato não nos atrai, mas é fundamental
conhecer. Assim, poderíamos ser criativos melhores, e buscaríamos referências
nas mais diversas peculiaridades do mundo. Enchi meus olhos já no primeiro dia.
Quis sair imediatamente e conhecer museus, feiras livres, concertos de óperas e
bailes funk também. Tive uma necessidade súbita de ouvir música clássica e MPB,
conhecer a cultura francesa e também a indiana e entender um pouco mais de
história. Com isso poderia bater no peito e dizer “sou a porra de um
publicitário”, ou pelo menos “estou no caminho certo para ser a porra de um
publicitário”.
Um tempo depois me perguntei como conhecer
coisas boas. Percebi também como sou uma merda de pessoa. Como minha biblioteca
de músicas é limitada, como li poucos clássicos da literatura e como vi poucos
filmes de Truffaut e Woody Allen. Fui para o chão. Minha bolha era minúscula e
desesperadamente me perguntava: como aumenta-la? Ir a museus sozinho? Estudar
história da arte sozinho? Pesquisar por Caetano Veloso no Google? De repente
imaginei que pessoas é que mudavam nossos hábitos e gostos. Que pessoas novas
que entravam na nossa vida é que nos apresentavam a algo bom e que nem
imaginávamos existir. Assim como alguns amigos me apresentaram o rock
alternativo há uns anos atrás. Assim como uma amiga me ensinou o valor de um
bom filme europeu. Assim como outra amiga me mostrou como era profundo um rap.
Isso não me ajudou. Pois me deparava com um dilema: pessoas não surgem quando
queremos. E se precisava delas para crescer teria que esperar, teria que
esperar?
Ainda estou nessa. Tentando descobrir coisas
novas e lendo um livro cá e outro acolá. Na própria faculdade conheci alguns
artistas bacanas, entendi um pouco mais da sociedade e acredito que estou num
caminho bem legal. Pessoas? Ainda não apareceram. Os novos amigos da faculdade
estão na mesma que eu e são inclusive muito parecidos, não me acrescentando
muita coisa. Não quero ficar dependente de gente que nem sei se existe ou se
vai aparecer, mas estou aberto a elas. Não tenho medo de mudar de gosto e de
opinião e tudo o que eu mais quero é uma bolha enorme, cheia de pluralidade e o
menos limitada possível.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Primeiro semestre
Resolvi
escrever depois de muito tempo. Talvez o final do semestre e todo o estresse
acumulado que me causou doenças tenham me motivado a isso. Talvez o livro
daquela autora de mulherzinha tenha me levado a isso. Não sei. Só sei que estou
eu aqui, nesse momento de transição, entre um nada e outra coisa que não é
nada, perdido. Preocupado se esse texto está justificado e se minha conta
bancária tá no positivo.
Hoje
não fui para a faculdade, nem preciso mais inclusive. Esse ano, apenas para
constar, comecei uma faculdade. Serei um publicitário, um pseudo publicitário
no momento. E não é nada fácil viu? Temos que entender de Freud e Marx, somos
estimulados a ter papos cult durante o intervalo naquela praça de alimentação
hiper capitalista da universidade. Só não somos estimulados a ser marxistas, o
que não faz o menor sentido já que contribuiremos para o sistema. De qualquer
maneira, todos lá querem isso, querem depender de café para viver, ter papos Cult
em bistrôs na sexta feira à noite. Claro, aqueles que realmente querem ser
publicitários; não estou contando aquelas meninas burras que perguntam página
de livros no grupo do Facebook sem se preocupar com o sumário, ou aqueles caras
bombados de pau pequeno que querem comer as meninas burras (que só querem dar
para os mesmos caras bombados de pau pequeno mas veteranos).
Deu
para perceber que acabei o primeiro semestre e já tenho vários problemas com
minha universidade. É inevitável, estudei muito para uma pública, queria acima
de tudo ser um gay, esquerdista, maconheiro, militante e caótico de uma
universidade pública. Contudo, acabei um pseudo alternativo, estranho,
esquerdista, não tão maconheiro assim numa privada. Mas não é de todo mal,
achei o meu lugar e amo lá; por mais que minha simples bolsa estímulo sempre atrase
e não possa assumir muitas prestações justamente por isso.
“Achar
o seu lugar”. Creio que é isso que todos buscam e eu até encontro com certa
facilidade, porém inevitavelmente com meu estranho incômodo e mal de sempre
achar que estou perdendo pessoas, que ali do meu lado, numa sala do terceiro
ano de jornalismo está a possível pessoa mais legal do mundo pra mim e que
simplesmente nunca conversaremos. Como proceder? Tenho aqui, meus amigos também
futuros publicitários, com muita grana e sem tantas preocupações, que passarão
as férias de julho em Los Angeles e que querem imprimir os trabalhos em papel
Couche. Voucher. Cuchê. Sei lá.
Cá
estou eu, nesse lugar meio relativo ao mundo, onde tem muita gente diferente;
afinal uma universidade. A coisa mais irada do ano, talvez da minha vida. Sem
dúvida não estaria falando tanto dela se não fosse. Todavia, mesmo aqui, nessa
nova cidade, nesse quarto que não é mais tão meu, nessa minha pindaíba
universitária (meu Deus a palavra pindaíba existe mesmo), eu tenho aqueles meus
vazios habituais, que se tornaram quase rotineiros. Ora, numa cidade grande,
fria e vazia, sem tantos amigos e ninguém no bairro ao lado para correr e
chorar no colo, como não ter um aumento considerável no seu vazio e solidão? E
possivelmente a minha atual falta de vontade de conhecer pessoas, que sempre me
decepcionam, seja porque tem um papo muito chato, seja porque usam sapatênis,
ou no caso dos possíveis pretendentes, só querem me comer, torna tudo mais
difícil. Começo um papinho acolá e já me desinteresso, e quando rola... Ah,
quando rola assisto um filme do Woody Allen com o sujeito, nos beijamos na cozinha
e transamos. Ponto. Ele fica online no Whatsapp e não me chama. Eu mando oi.
Nada. E daí? Bem, penso, repenso, reflito sobre meu beijo, sobre minha maneira
de chupar, sobre meus dedos e sobre meu cu. Ou, quando nem o filme do Woody
Allen acontece, chupo alguém qualquer, que quer por um cavalo inteiro dentro de
mim no carro e que não quer sujar o mesmo, usando toalhinhas. Olha bem pra
minha cara e veja se eu uso toalhas no sexo oral.
Pronto,
já falei que chupei duzentas pessoas nessa minha nova vida e que faço reflexões
a cada pau que chupo. Já disse que sou meio louco e penso demais e que no fundo
gostaria de ser um menino rico, bombado, de pau pequeno com um carrão, ou uma
menina rica, burra, loira, com um iphone e que dá para os veteranos e se
possível troca uns minutos da vagina por um trabalho do primeiro ano. Não é
mais fácil? Pegar um livro da Marilena Chauí e nada mudar. Não levar tapas na
cara quando Freud começa a cutucar Ana O. Nem ficar em transe enquanto a
professora USPiana de sociologia, com certeza maconheira, fala de como o
MCDonald’s explora seus funcionários. Levar tudo numa boa, indo no entorta bixo
ou numa dessas festas de uns caras bêbados, de drinks ruins e cerveja ruim.
Bom,
não sou assim. Tô numa universidade privada, só com uns trocados no bolso,
vivendo de baratíssimo do Subway e olhe lá. Feinho, com roupinhas meia boca e
um tênis lindo novo dividido em 5 vezes na C&A. Ah, agradeço essas pequenas
coisas, e por mais que não tenha muita grana nem muitos amores espero aqui,
quietinho comendo croissant de chocolate, a minha vez de ser um publicitário
bem sucedido.
Sobre
os caras, seus paus, meus amores e minhas reflexões não há muito que fazer.
Talvez fique ai a vida toda, chupando e
chorando. Pensando no que fiz errado ou não fiz. Talvez eu sempre faça
isso, vá pra balada, fique mega perdido, sem dinheiro pra ficar bêbado e dançar
muito e incomodado com minhas roupas. Talvez aquele menino, da mesma faculdade
que eu, e mesmo curso, se interesse por mim sempre, me ache fofinho, engraçado
até. Me beije, me beije bem mas seja tão carente que me expele logo de cara.
Não sei. Sou tão vazio no peito e tão carente, mas simplesmente detesto isso em
qualquer um que não seja eu. Problemas. Sim, eu tenho. E nem sei mais do que tô
falando. Não quero ser um vazio que entrega o jogo fácil. Não quero que me
fodam e não respondam no dia seguinte. Mas eu meio que busco isso e fujo de
gente legal. Pego o carinha bonitinho da faculdade e quando o vejo pelos
corredores entro em uma sala qualquer para fugir. Porque gente legal me
assusta?
Saudades
das pequenas preocupações, vontade de passar logo por tudo isso e realizar meu
sonho de morar num apartamento pequeno, com dois gatos, livros e um monte de
réplica de uns quadros legais que conheci na faculdade, já que publicitários
devem entender de arte e dediquei grande parte do meu tempo para entender tal.
Cozinhar macarrão, trabalhar nos meus Jobs, ler jornal e discutir politica no
bar com uns amigos, mas claro, também falar do pau do carinha da noite passada.
Só não sou mais vazio porque tenho sonhos que me motivam, e sabe de uma coisa?
Sempre os terei.
Não
sei concluir o que acabo de escrever, não sei se tem conclusão. É a minha vida.
Meu primeiro semestre de um momento da minha vida com gosto diferente. Um gosto
que espero mudar sempre. Bleh.
sábado, 19 de abril de 2014
De passagem
É tudo tão nostálgico, a forma
como as pessoas passam pela sua vida e deixam marcas, ou simplesmente passam e
se vão, permanecendo em uma foto arquivada em seu computador. É engraçada a
forma como tudo passa, muda, se transforma e se renova, formando um ciclo que
rotineiramente chamamos de vida. Eu tenho uma certa curiosidade pela forma que
ela vai se renovar, e por quais aventuras novas eu passarei e por quais pessoas
interessantes me apaixonarei.
Olhando para as fotos do que eu
vivi, agora percebo como cada momento foi especial, como cada conversa trivial que geral uma
fotografia ainda mais trivial pode ficar para toda a história da vida dos
envolvidos. Como algo que passou, e se tornou apenas lembrança, pode mexer
conosco, mesmo que tenha sido insignificante no respectivo momento. Não é fácil
transmitir a ideia de que devemos aproveitar ao máximo cada segundo com amigos,
família, ou até mesmo só. Apenas nos damos conta de como foi especial quando
conseguimos nos lembrar por alguma razão desconhecida. Contudo, mesmo que não
seja fácil imprimir isso na mente das pessoas, é impossível não dizer que tudo
passa rápido, que não existe essa coisa de “tempos dourados”, e que seu tempo
dourado será todo aquele que você consiga tirar o máximo de proveito, o máximo de
sorrisos, o máximo de fotos especiais e bobas.
Um dia, daqui muito tempo, você
visitará uma pasta qualquer no seu computador, e lá estarão elas. Rostos que há
muito não via, emoções que há muito não sentia. E nesse dia, você entenderá do
que estou falando. Até lá, colecione. Histórias, emoções, sentimentos na pele,
nos olhos, na boca e no coração. Colecione aventuras, amores e fotos. Eternize
o que já está em sua memória, mas que por alguma razão esquecemos, ou melhor,
deixamos de lembrar.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Sem sentido.
Eu não sei mais escrever, desaprendi a me expressar com
palavras. Eu me perco em diversos pensamentos e acabo não chegando à conclusão
nenhuma sobre o que estou passando, sobre quem eu sou, sobre o que deveria ser.
Nesse
exato momento não sei o que sinto, é uma melancolia com medo, cravejada de
raiva, por motivo algum, ou talvez eu seja o único motivo. Queria me privar da
vida agora, fugir, como sempre quero em diversos momentos, mas sinto algo
especial agora. Algo que nunca senti antes. Eu sei que as coisas vão mudar, e
estou com medo. Eu tenho medo de que as coisas mudem. Anseio por isso e me
convenço de que é o melhor, mas coragem para isso é algo que não tenho a todo
instante.
Não sei
se algo disso faz sentido, acredito que não, mas é o que passo agora. Meus
amigos, minha família, tudo parece tão distante, eu mesmo pareço somente um
espectro de alguém desvanecido. Cheguei a essa palavra, a que dá nome a esse
blog. Talvez esse seja meu destino, quem eu realmente sou e de quem tenho medo, que não me permito se quer
imaginar, que ninguém conhece por não deixo. Chega. Um dia quem sabe eu siga em
frente e consiga escrever, esse bloqueio em minha cabeça se quebre, eu me
liberte. As ataduras caiam. Ou talvez eu seja isso mesmo, sem muito sentido.
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