quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Seus Infinitos

  Apaguei a primeira linha várias vezes, sem saber como começar. Hoje teve tanta coisa e tanta coisa do mesmo que tudo ficou meio misturado. Passei o dia todo com uma vontade incontrolável de chorar. Quis chorar pela dor dos outros, quis chorar pela minha própria dor. Antes de dormir, ainda sensibilizado procurei alguém pra conversar. Sabe o que é não encontrar ninguém? Aquele seu amigo, ou aquela sua amiga, ou aquele cara que você sempre achou mais especial. Ninguém parecia ser passível de ser chamado, de ser convidado a entender o que eu sentia, ou o nada que me fazia. Eu estou triste agora. Triste porque tudo anda apático. Pensei nessa palavra esses dias. Quis escrever só sobre ela e sobre a maneira como ela me define e define esse momento. Estou apático pra tudo a minha volta, sem muita cor, sem muita paixão. Vou pra faculdade, assisto as aulas, vou pro trabalho, converso, vou até a festas. Mas estou tão inerte a tudo isso. Não quero ir a faculdade, nem ao trabalho. Não quero ir a festas. Quero ficar em casa. Mas ao mesmo tempo penso no tanto de vida que posso estar perdendo lá fora. O cara animado dentro de mim ainda consegue ver um mundo atraente. Onde as pessoas não te excluem com um simples toque. Onde as pessoas se preocupam com quem você realmente é. Sem preocupação com estilo ou beleza. É só a bacaneza do ser, nada mais.
  Enfim. Estou pensando em tudo isso, e tudo isso me deixa aflito agora. Porque eu estou cansando. Porque eu quero desistir do meu curso, das pessoas, de tudo. De mim. Inventar um personagem que seja mais bem aceito ou que seja mal e pare de sofrer com as maldades do mundo. Inverter o jogo ao meu favor. Ser egoísta a ponto de querer só a minha felicidade. Pois parece que ninguém verdadeiramente se importa com a minha. Eu estou cansado, estou muita coisa como podem ver. Impotente, oprimido, quase um desistente. Mas ainda estou aqui.
  A minha dor pode não ser a maior do mundo, nem o meu vazio o mais profundo do universo. Mas dentro do meu pequeno ser, eles são infinitos.