terça-feira, 10 de maio de 2016

Sem título


Tenho pensamentos recorrentes em minha cabeça. Eu os disperso, eu tento evitá-los, mas eles voltam e se repetem, e repetem, e repetem. E eu? Eu fico sem saber se estou chegando à beira da loucura ou se somente é minha cabeça falhando, dizendo “é hora de parar e se encontrar”. Digo me encontrar, pois acredito estar perdido. Me olho no espelho e não sei mais quem eu sou, na verdade não sei se algum dia eu já soube. Me orgulho, ou orgulhava, de ter trilhado um belo caminho de desconstrução ao longo dos últimos anos, mas isso não é só imagem? Não é só a sua relação com o mundo? E a minha relação comigo mesmo? E dentro, o que mudou aqui dentro? O que eu tenho feito, ou o que eu fiz pra me tornar esse ser? Quais são meus objetivos e aspirações? Quem eu quero me tornar? E por que diabos parece que estou andando em círculos infinitamente?
Estou cansado de andar, andar e não chegar a lugar nenhum. Não há ilha a vista. Só tenho a mim, desgostoso e exausto até de escrever. Há tempos não escrevo uma crônica sequer, uma historiazinha de desconhecidos no trânsito, de um casal que se ama em uma praça ou de amigos que brigam por besteira. Nada, estou travado. É esse ser que me tornei, estou me tornando e eu não gosto disso. Não consigo sentir a energia do mundo, não consigo me conectar.
A gente às vezes dá uma guinada tão estranha e assombrosa em nossas vidas... acaba restando nada, ou algo que não nos agrada em frente ao espelho.