terça-feira, 29 de julho de 2014

A nada triste história de Catarina

   Catarina tem problemas. É o que ela acha. Acha estranho as pessoas sempre fugindo, se esquivando. Ela na faculdade é um doce, simpática, dedicada e sempre conversando com a maioria se possível. É claro que muitos a desagradavam; aquelas meninas fúteis preocupadas com os veteranos, aqueles meninos pedindo para ela fazer o trabalho por eles. Qual a razão de estar na faculdade mesmo? Mas tudo bem, Catarina sabe tirar um ensinamento de todos... Até mesmo desses que, afinal, ensinam ela a não ter laços sérios com certos nichos, não é? Contudo, sem preconceitos. Tão bacana assim a moça só pensa em como seus relacionamentos não davam certo. Ria. Relacionamentos não é a palavra certa. Foram casinhos corriqueiros. Conheceu alguns em festas, amigos de amigos e coisa e tal. Não se arrependia. Aprendeu algo com todos, esse era o dom. Mas afinal o que a impedia de passar da primeira semana? Lembrando que ultimamente estava difícil passar do primeiro dia. Ela não é do tipo grudenta, chata, enjoativa. E se eram assim com ela, ah, ela tinha medo. Mas não era mesmo. E não é. É boazinha, bacaninha, aprendeu que não é certo ficar correndo atrás, que as pessoas são fechadas mesmo e pra não sofrer tem que respeitar e ser assim também. Então ela não se apega, ou melhor, não demonstra. Pois qual o problema de sentir algo bom enquanto conversa com um cara por algum tempo? Tem algo errado em gostar de conversar? Já virou um crime isso? Catarina não chegou a pesquisar mas acredita que não.
   No entanto, qual o problema? Seria justamente ser fechada? Desgrudada e até descomplicada? Ela repensou. Os homens fogem das grudentas e das livres. O que resta? Como existem relacionamentos nesse mundo então? Catarina fica triste, não que ela seja. Não, não. Ela é feliz, faz uma boa faculdade e seu cabelo está em sua melhor fase sem dúvida. Mas tem dias... Ah tem dias que um ombro é a melhor coisa do mundo. Pode até ser o de mãe, mas vocês sabem que ombro estamos falando aqui, né? É aquele ombro forte, onde sentimos que nada de mal vai nos acontecer. É aquele colo protetor, mas sexy também. Isso ela tinha falta. Uma falta de algo que nunca existiu. Uma semana lembrou. Esse era o máximo.
   Maldição. Catarina é uma boa garota. Lê bastante coisa, entende de arte e música. Vai a baladas alternativas porém também conhece a ópera. Ama moda e entende tudo dessas coisas ai. Mas qual o problema com você Catarina? Pensou em ser lésbica, o mundo gay parecia tão mais promissor. Meninas eram doces, delicadas, perfumadas. Mas ela tinha uma coisa por barba... Uma queda, um turbilhão de coisas se passavam na cabeça dela quando via uma barba sexy, coisas nada saudáveis diria um pastor. Então sim, ela gosta disso que habitualmente chamamos de pica. Ela nem é do tipo nojentinha que não põe na boca. Seria isso? ELA É RUIM DE CAMA? Meu Deus, ai está a explicação! Catarina não sabe transar! Nada mais fácil, bonita ela é, inteligente também, não é pegajosa. O sexo era o problema. O que fazer então? Só existe prática pra resolver esse tipo de coisa, eu suponho.
   Catarina cansou-se. Ela se sentia sozinha muitas e muitas noites. Mas é feliz. É satisfeita, pois tem amigos. Catarina agora tá meio feminista. Não espera o príncipe. Nunca esperou, diga-se de passagem, mas agora ela vê mais claramente. Ela não tem culpa de nada. Ela não é ruim coisa nenhuma. Se não deu certo até agora é porque não deu, oras. Os caras também... Eram todos uns babacas, infantis. E ai entra a culpa dela, em escolher sempre esses barriguinha sarada. Gostosos pra caramba, mas que não entendem uma mulher. Pois ela já é mulher, mas que infelizmente se apaixona por meninos.
   Catarina não quer que esse texto vire texto feminista motivacional, muito menos texto pra ser desmembrado em vários trechos e colocado em imagens com fundo triste, para serem compartilhadas no facebook por meninas tristes. Catarina é feliz e quer que todas sejam. Catarina não tem culpa de nada. Ela é do jeito que é, e se um dia acontecer essa coisa que todo mundo chama de amor, beleza. Caso contrário, esse ombro que ela tanto anseia tem que ser substituído, o ser humano não se adapta a tudo mesmo? Então vai lá menina. Viva sua vida, que veja só, é sua. E de mais ninguém. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Solidões Contemporâneas

   De repente você está no seu quarto, se sentindo incompleto. Eu não sei bem definir o que é isso, é meio inexplicável, meio incabível. Afinal, o que nos falta? Você pode abrir qualquer rede social, mas o vazio vai persistir. Talvez melhore se colocar aquela música gostosa que está na sua cabeça nessa semana. Talvez melhore se conversar com um gringo, treinar seu inglês e quem sabe ligar a cam e descobrir alguém novo – que muitas vezes é um senhor de 65 anos tarado. Contudo, porque não tentar? A gente tá nesse barco mesmo, com insônia, sozinho, com preguiça de mais pra pegar um artigo relevante pra ler, tudo porque depois das 10 horas parece meio difícil exercitar a leitura.
   Então, nos deparamos com nós mesmos. A TV ligada pra amenizar a falta de diálogo. A música tocando para nos preenchermos. E a incerteza se isso vai passar. Bobagem. Uma hora o sono vem e tudo isso vira história amanhã. E depois de amanhã quando acontecer de novo vamos nos esquecer que sobrevivemos da última vez.
   Mas sabe o que é? É que sabemos que vamos sobreviver a essa angústia, mas é doloroso demais imaginar que ela passará somente na manhã seguinte. O que fazer agora? Tentar com a ajuda do Jô Soares nossa recuperação sentimental e psicológica.
   Finalmente cheguei nos termos psicológicos que afinal definem esse texto. Pois ora, é obvio que se você chegou até aqui percebeu que nada tá muito normal e nada faz muito sentido. Mas estou assim, meio perdido, meio com medo, meio triste, meio vazio. Meio tudo e meio nada. Fim.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Você

   Você me manda mensagem pela manhã. Não respondo. Estou decidido a prestar atenção na aula e ser um bom aluno. No intervalo pego o celular e respondo. Falamos de coisas triviais. Você está no banco, pegou uma fila enorme, mas precisa voltar porque esqueceu os documentos. Te chamo de idiota. Você fala da sua cachorra e eu não dou a mínima para cães. Me convida para sair. Eu digo que sim, mas sem muita confiança, tenho preguiça e um pouco de receio. Conversamos mais e você novamente me chama pra ir a sua casa. Dessa vez eu aceito. Na sexta combinamos. Durante a semana nos falamos sempre e eu começo a gostar e achar que você gosta de mim. É meio que uma fórmula isso, mas com você desde o começo eu levei meio com a barriga, não tive interesse. Não mais. Chega sexta. Você se oferece pra me buscar na faculdade. Recuso. Não sou desses. Digo que vou pegar um ônibus e que pode me buscar no ponto. Tomo o ônibus. Meu Deus como seria ótimo ir de carro, mas lembro que não sou desses. Chego ao destino e te mando mensagem. Você logo aparece num carro que nunca vi antes em minha vida. Entro. Damos um beijo e começamos a conversar. Você me fala de suas viagens e eu pergunto mais da sua vida. Você não me pergunta muita coisa. Acho estranho. Na verdade acho todo o papo meio estranho, meio forçado. Não era assim por mensagens. Chegamos a sua casa. Tem muito verde e você mora num chalé nos fundos. É de tijolinhos e lindo. Entro. A decoração me impressiona. Livros de francês e yoga nas prateleiras de madeira polida. Cores fortes e quadros. É incrível. Estou na sua casa ou em uma casa de novela? Você me oferece água e pergunta se vamos ver o filme do Allen. Eu confirmo. Começamos a assistir em seu notebook. Você quieto. Achei que talvez nessas ocasiões de filme com pretendentes as pessoas se tocam. Nada. Seu cheiro é bom e eu quero te tocar. Me contenho. Quero falar do seu cheiro e atacar sua pele, te devorar. Você também está se contendo ou apenas assistindo o filme? Damos algumas risadas, mas sem conversar. O filme termina. Conversamos sobre suas tatuagens e os idiomas que fala. Me pergunta se quero ver sua dispensa afinal tu é um vegan meio estranho, que medita. Eu topo. Na cozinha há batatas, cebolas, e coisas secas e em pó. Dou risada. Nunca vi uma dispensa tão sem graça. Você diz que é saudável. Eu acredito. Encosto na parede e você na pia. Reparo que estou encostado e lembro que me disse certa vez que me queria na parede. Me beijar e me despir lá. Te olho de um jeito engraçado. O meu sexy. Você percebe e sorri. E é lindo. Quero te beijar. Você vem e rouba um beijo meu. Até hoje eu sinto o gosto. Finalmente seu cheiro está em mim e eu estou louco. Você me puxa até você. Abusa. Para e diz que ainda não conheço seu quarto. Dou uma risada e digo que é verdade. Te sigo. O quarto é no segundo andar e não gosto de escadas circulares desse jeito. Vou com calma. Quando chego você já está lá em cima. Olho pro chão e quando retomo meu olhar você está perto. Me beija. Eu pego no seu cabelo loiro. É comprido e macio. Te jogo na cama. As janelas estão abertas e o sol quente da tarde entra. Subo em cima de você e te beijo. Sua boca é a mais macia que já experimentei. Nos beijamos. Desço até seu peito. Mais beijos. Desço mais e você já sabe. Abaixo sua cueca preta. Estou feliz que não foi propaganda enganosa. Te chupo. Você de olhos fechados. Volto e te beijo. Seu gosto em sua boca. Você me empurra. Sobe em cima de mim. Passo a mão em suas costas e você transpira. Desce minha cueca. Sinto o pequeno prazer de sempre, mas gosto. Nos beijamos, muito. Não quero tornar isso obsceno. Terminamos. Nos jogamos na cama, nus. Ficamos ali parados. Eu nunca passei isso com ninguém antes. Estamos abertos, meio abraçados e pelados na cama. Não falamos nada. Digo que preciso ir embora. Você fala “justo”. Entendo o porquê. Nos beijamos mais, nossos corpos e sexos se encostando. Você diz que é chato em primeiros encontros. Pergunto, sem querer resposta, se isso quer dizer que teremos um segundo. Nos beijamos. Levanto e me visto. Você também. Saímos de sua casa, o sol está se pondo. Tento puxar papo no carro. Você me fala da festa que irá sábado. Não pergunta sobre mim. Acho estranho. Não flui bem. Nada. Me deixa no ponto e te dou um beijo no rosto. Pego o ônibus de cabeça baixa. Estou triste, decepcionado. Sei que você também. Não foi bom, não foi quente. Foi morno. Não te quis com o maior dos desejos. Penso que talvez seja sua falta de assunto desde o começo. Sua falta de interesse. Por que então me beijou? Por que trocamos essa experiência? Decepcionado. Penso se sou o problema. Acho que talvez sim. Penso se é você. Pelo meu histórico talvez não. Sigo pra casa. Acabou. Ou melhor, nem começou. 

Os porquês.

   Dia desses estive pensando. Pensando nos amores passados. Amores não, não foi amor. Pensando nos começos de sentimento.
   Tentei entender o porquê de tudo sempre dar errado. Desisti. Na minha auto reflexão notei que simplesmente não tenho respostas. Não tenho um feedback. Sabe o quanto é difícil acumular mágoas porque sempre após o fim você simplesmente desliga o telefone e chora, ao invés de pedir explicações?
   Eu sou assim. Quando é ruim, mal construído, quando acaba eu não sei protestar. Não sei gritar e dizer “MAS EU NÃO FUI SUFICIENTE?”. Essa falta de sal, essa falta de senso, essa falta de vontade de viver me torturou, me tortura. E é por isso que consigo lembrar de alguém que me largou há dois anos atrás sem pestanejar. Não pedi explicações. Não sei se sou culpado e isso me corrói. Me tortura. Me deixa incapaz. E sempre quando conheço alguém novo e possivelmente especial me vem a tona que talvez eu enjoe a todos, deprima a todos, chateie a todos, faça todos fugirem.
   Gostaria de respostas. Saber em qual parte foi o problema, se rolou um “não é você, sou eu”, se posso ser especial. Se um dia a corrosão acabar, se a auto confiança dominar, talvez eu pare de ter esses delírios e mantenha de uma vez por todas aqueles tais bem escondidos no fundo do guarda-roupa.