Você me manda
mensagem pela manhã. Não respondo. Estou decidido a prestar atenção na aula e
ser um bom aluno. No intervalo pego o celular e respondo. Falamos de coisas
triviais. Você está no banco, pegou uma fila enorme, mas precisa voltar porque
esqueceu os documentos. Te chamo de idiota. Você fala da sua cachorra e eu não
dou a mínima para cães. Me convida para sair. Eu digo que sim, mas sem muita
confiança, tenho preguiça e um pouco de receio. Conversamos mais e você
novamente me chama pra ir a sua casa. Dessa vez eu aceito. Na sexta combinamos.
Durante a semana nos falamos sempre e eu começo a gostar e achar que você gosta
de mim. É meio que uma fórmula isso, mas com você desde o começo eu levei meio
com a barriga, não tive interesse. Não mais. Chega sexta. Você se oferece pra
me buscar na faculdade. Recuso. Não sou desses. Digo que vou pegar um ônibus e
que pode me buscar no ponto. Tomo o ônibus. Meu Deus como seria ótimo ir de carro,
mas lembro que não sou desses. Chego ao destino e te mando mensagem. Você logo
aparece num carro que nunca vi antes em minha vida. Entro. Damos um beijo e
começamos a conversar. Você me fala de suas viagens e eu pergunto mais da sua
vida. Você não me pergunta muita coisa. Acho estranho. Na verdade acho todo o
papo meio estranho, meio forçado. Não era assim por mensagens. Chegamos a sua
casa. Tem muito verde e você mora num chalé nos fundos. É de tijolinhos e
lindo. Entro. A decoração me impressiona. Livros de francês e yoga nas
prateleiras de madeira polida. Cores fortes e quadros. É incrível. Estou na sua
casa ou em uma casa de novela? Você me oferece água e pergunta se vamos ver o
filme do Allen. Eu confirmo. Começamos a assistir em seu notebook. Você quieto.
Achei que talvez nessas ocasiões de filme com pretendentes as pessoas se tocam.
Nada. Seu cheiro é bom e eu quero te tocar. Me contenho. Quero falar do seu
cheiro e atacar sua pele, te devorar. Você também está se contendo ou apenas
assistindo o filme? Damos algumas risadas, mas sem conversar. O filme termina.
Conversamos sobre suas tatuagens e os idiomas que fala. Me pergunta se quero
ver sua dispensa afinal tu é um vegan meio estranho, que medita. Eu topo. Na cozinha
há batatas, cebolas, e coisas secas e em pó. Dou risada. Nunca vi uma dispensa
tão sem graça. Você diz que é saudável. Eu acredito. Encosto na parede e você na
pia. Reparo que estou encostado e lembro que me disse certa vez que me queria
na parede. Me beijar e me despir lá. Te olho de um jeito engraçado. O meu sexy.
Você percebe e sorri. E é lindo. Quero te beijar. Você vem e rouba um beijo
meu. Até hoje eu sinto o gosto. Finalmente seu cheiro está em mim e eu estou
louco. Você me puxa até você. Abusa. Para e diz que ainda não conheço seu
quarto. Dou uma risada e digo que é verdade. Te sigo. O quarto é no segundo
andar e não gosto de escadas circulares desse jeito. Vou com calma. Quando
chego você já está lá em cima. Olho pro chão e quando retomo meu olhar você
está perto. Me beija. Eu pego no seu cabelo loiro. É comprido e macio. Te jogo
na cama. As janelas estão abertas e o sol quente da tarde entra. Subo em cima
de você e te beijo. Sua boca é a mais macia que já experimentei. Nos beijamos.
Desço até seu peito. Mais beijos. Desço mais e você já sabe. Abaixo sua cueca
preta. Estou feliz que não foi propaganda enganosa. Te chupo. Você de olhos
fechados. Volto e te beijo. Seu gosto em sua boca. Você me empurra. Sobe em
cima de mim. Passo a mão em suas costas e você transpira. Desce minha cueca.
Sinto o pequeno prazer de sempre, mas gosto. Nos beijamos, muito. Não quero
tornar isso obsceno. Terminamos. Nos jogamos na cama, nus. Ficamos ali parados.
Eu nunca passei isso com ninguém antes. Estamos abertos, meio abraçados e
pelados na cama. Não falamos nada. Digo que preciso ir embora. Você fala “justo”.
Entendo o porquê. Nos beijamos mais, nossos corpos e sexos se encostando. Você
diz que é chato em primeiros encontros. Pergunto, sem querer resposta, se isso
quer dizer que teremos um segundo. Nos beijamos. Levanto e me visto. Você
também. Saímos de sua casa, o sol está se pondo. Tento puxar papo no carro.
Você me fala da festa que irá sábado. Não pergunta sobre mim. Acho estranho.
Não flui bem. Nada. Me deixa no ponto e te dou um beijo no rosto. Pego o ônibus
de cabeça baixa. Estou triste, decepcionado. Sei que você também. Não foi bom,
não foi quente. Foi morno. Não te quis com o maior dos desejos. Penso que
talvez seja sua falta de assunto desde o começo. Sua falta de interesse. Por
que então me beijou? Por que trocamos essa experiência? Decepcionado. Penso se
sou o problema. Acho que talvez sim. Penso se é você. Pelo meu histórico talvez
não. Sigo pra casa. Acabou. Ou melhor, nem começou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário