Catarina tem problemas.
É o que ela acha. Acha estranho as pessoas sempre fugindo, se esquivando. Ela
na faculdade é um doce, simpática, dedicada e sempre conversando com a maioria se possível. É claro que muitos a desagradavam; aquelas meninas fúteis
preocupadas com os veteranos, aqueles meninos pedindo para ela fazer o trabalho
por eles. Qual a razão de estar na faculdade mesmo? Mas tudo bem, Catarina sabe
tirar um ensinamento de todos... Até mesmo desses que, afinal, ensinam ela a
não ter laços sérios com certos nichos, não é? Contudo, sem preconceitos. Tão
bacana assim a moça só pensa em como seus relacionamentos não davam certo. Ria.
Relacionamentos não é a palavra certa. Foram casinhos corriqueiros. Conheceu
alguns em festas, amigos de amigos e coisa e tal. Não se arrependia. Aprendeu
algo com todos, esse era o dom. Mas afinal o que a impedia de passar da
primeira semana? Lembrando que ultimamente estava difícil passar do primeiro
dia. Ela não é do tipo grudenta, chata, enjoativa. E se eram assim com ela, ah,
ela tinha medo. Mas não era mesmo. E não é. É boazinha, bacaninha, aprendeu que
não é certo ficar correndo atrás, que as pessoas são fechadas mesmo e pra não
sofrer tem que respeitar e ser assim também. Então ela não se apega, ou melhor,
não demonstra. Pois qual o problema de sentir algo bom enquanto conversa com um
cara por algum tempo? Tem algo errado em gostar de conversar? Já virou um crime
isso? Catarina não chegou a pesquisar mas acredita que não.
No entanto, qual o
problema? Seria justamente ser fechada? Desgrudada e até descomplicada? Ela
repensou. Os homens fogem das grudentas e das livres. O que resta? Como existem
relacionamentos nesse mundo então? Catarina fica triste, não que ela seja. Não,
não. Ela é feliz, faz uma boa faculdade e seu cabelo está em sua melhor fase sem dúvida. Mas tem dias... Ah tem dias que um ombro é a melhor coisa do mundo.
Pode até ser o de mãe, mas vocês sabem que ombro estamos falando aqui, né? É
aquele ombro forte, onde sentimos que nada de mal vai nos acontecer. É aquele
colo protetor, mas sexy também. Isso ela tinha falta. Uma falta de algo que
nunca existiu. Uma semana lembrou. Esse era o máximo.
Maldição. Catarina é uma boa garota. Lê
bastante coisa, entende de arte e música. Vai a baladas alternativas porém
também conhece a ópera. Ama moda e entende tudo dessas coisas ai. Mas qual o
problema com você Catarina? Pensou em ser lésbica, o mundo gay parecia tão mais
promissor. Meninas eram doces, delicadas, perfumadas. Mas ela tinha uma coisa
por barba... Uma queda, um turbilhão de coisas se passavam na cabeça dela
quando via uma barba sexy, coisas nada saudáveis diria um pastor. Então sim,
ela gosta disso que habitualmente chamamos de pica. Ela nem é do tipo
nojentinha que não põe na boca. Seria isso? ELA É RUIM DE CAMA? Meu Deus, ai
está a explicação! Catarina não sabe transar! Nada mais fácil, bonita ela é,
inteligente também, não é pegajosa. O sexo era o problema. O que fazer então?
Só existe prática pra resolver esse tipo de coisa, eu suponho.
Catarina cansou-se.
Ela se sentia sozinha muitas e muitas noites. Mas é feliz. É satisfeita, pois
tem amigos. Catarina agora tá meio feminista. Não espera o príncipe. Nunca
esperou, diga-se de passagem, mas agora ela vê mais claramente. Ela não tem
culpa de nada. Ela não é ruim coisa nenhuma. Se não deu certo até agora é porque
não deu, oras. Os caras também... Eram todos uns babacas, infantis. E ai entra
a culpa dela, em escolher sempre esses barriguinha sarada. Gostosos pra
caramba, mas que não entendem uma mulher. Pois ela já é mulher, mas que
infelizmente se apaixona por meninos.
Catarina não quer
que esse texto vire texto feminista motivacional, muito menos texto pra ser desmembrado
em vários trechos e colocado em imagens com fundo triste, para serem
compartilhadas no facebook por meninas tristes. Catarina é feliz e quer que
todas sejam. Catarina não tem culpa de nada. Ela é do jeito que é, e se um dia
acontecer essa coisa que todo mundo chama de amor, beleza. Caso contrário, esse
ombro que ela tanto anseia tem que ser substituído, o ser humano não se adapta a
tudo mesmo? Então vai lá menina. Viva sua vida, que veja só, é sua. E de mais
ninguém.
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