sexta-feira, 31 de julho de 2015

A tal geração Z

Muito se fala da tal geração Y, que atualmente esquenta o mercado profissional e é a vanguarda da criatividade e inovação. Essa tal geração, diferente das outras, não se contenta com pouco, não quer sentir-se presa. Não gosta de trabalhar em escritórios e, se for para trabalhar, que tenha um playground para desanuviar a cabeça e relaxar. É uma geração viciada em tecnologia, e-books, e que sonha em ser YouTuber. Eles são o máximo e se acham o máximo. Mas daí, o tempo passa, e  depois da Y vem uma ainda não tão falada, na qual eu que vos falo pertence, chamada Z. Essa geração, que diferentes fontes afirmam diferentes anos para começar, mas no geral inicia-se em 1995 ainda não está no mercado de trabalho, nas rodinhas intelectuais, ou mudando muita coisa. Ainda engatinham na graduação, em estágios e muitos ainda estão no ensino médio ocupados com, bem coisas de ensino médio. Mas é aí que mora nossa questão fundamental: como seremos? Como seremos quando tivermos a idade que hoje a tão aclamada e perturbada Y está? Se eles já têm pouca paciência pro trabalho, se acham a última bolacha do pacote e os inquestionáveis transformadores do mundo, o que resta para a pobre, ingênua, e viciada em Snapchat geração Z?

A princípio, como principal característica que afirmo termos, é a impaciência e o tédio. Impaciência para fazermos coisas das quais não gostamos e acreditamos, e tédio para levar a vida quando fazemos isso. Nesse pouco tempo de vida que tenho, no auge dos meus 19 anos afirmo, que me enjoo fácil de qualquer coisa, e com certeza um trabalho não seria diferente. Seria na nossa geração então o término dos serviços chatos e burocráticos? Faremos uma revolução drástica no mundo, onde todo mundo possa em fim, ser feliz? Queremos mesmo a felicidade?

Talvez não. Talvez não sejamos assim tão de vanguarda como nossos veteranos Y, talvez sejamos apenas ainda mais apáticos e individualistas, um aprofundamento do que os Y hoje são. Quem sabe, talvez, mais politizados. Já que, na nossa geração tá na moda defender minorias. É, pode ser que essa seja nossa diferença, uma geração que lute por mais igualdade, um geração que trabalhe em escritórios, mas escritórios cheios de diversidade. Porque, afinal, somos os maiores consumistas e, consumimos acima de tudo diversidade. Tudo que é igual, fácil, comum nos cansa e rapidamente repudiamos. Muito possivelmente se o capitalismo e os Iluminati quiserem se manter no poder terão que dar espaço as exigências dessa geração mimada, que mesmo individualista, quer ter o direito de fazer o que quiser, com quem quiser e como bem entende.

Escrevendo esse texto e pensando em todas as pessoas próximas da minha idade percebo realmente essas semelhanças. Acho que por fim, posso dizer, que é cedo pra afirmar que seremos assim ou assado em escritórios, ou que derrubaremos o sistema porque não temos mais nada pra fazer, mas de fato, quando estivermos no nosso auge que sabe lá Deus quando será, faremos um mundo onde as pessoas cagam menos regra na vida do outro e todo mundo possa ser quem quiser. É, dá pra dizer que essa é nossa principal bandeira e característica máxima. A gente quer beijar quem quiser, dar liberdades pra quem quiser sem dar explicações pra ninguém.


A geração Y que me perdoe, mas ainda são um tanto caretas pro que temos em mente. X e Babyboomers que se preparem, uma nova era está para começar, só não vê quem não quer. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O Homem que não é ótimo, mas é suficiente

Ele era ótimo nessa coisa de me fazer odiá-lo, de me fazer desapaixonar. Eu me penetrava em sua vida, devorava seu corpo e o amava, mesmo que com gestos contidos e despretensiosos. Ele me penetrava, mas apenas momentaneamente, devorava meu corpo e nos deliciávamos, mas não me amava.

Era sóbrio de si, das suas pretensões, sabia o que queria. E sabia que não me queria. Devorava meu corpo, e mesmo que sem querer, minha alma. Estava lá eu, jogada no chão do meu quarto ouvindo um álbum que decidi quer seria dele, da minha história com ele. Sabendo o que queria, ele só me chamava quando era oportuno. Só me amava quando precisava amar. E eu aceito migalhas tão facilmente. Sou a louca, a carente, a emocionalmente vulnerável, que acha que pode ser amor se ele tem tesão por mim, pela minha bunda, mas também é gentil e carinhoso. A gente ama mesmo é a bunda um do outro. Mas eu queria saber até quando você vai pegar na minha bunda, e eu na sua, e fingiremos que é só isso que queremos um do outro?

 A gente tá nessa agora, e eu estou completamente jogada num expectativa que eu mesma criei. Me desculpa. Ame a minha bunda em paz, só não deixa de ser carinhoso comigo, só não deixa de ser o homem que mais me amou, que mais amou o meu corpo, o meu cabelo e o meu jeito de ser, mesmo que o seu amor seja só essas migalhas. As suas migalhas já são muito mais do que recebi a vida inteira. 

domingo, 5 de julho de 2015

Crônica da vida que não vivi.

Há algum tempo escrevo sobre as dores de ser eu e, de vez em quando, sobre as felicidades de ser eu também. Mas em geral, com as dores, eu me afogo no vazio, na vontade de me sentir completo. Em épocas mais fartas me machuco por desejar o que outro alguém não pode me dar, ou por não entender que estar com alguém pode ser simples, pode ser sem expectativa, leve e divertido. Nunca fui leve e divertido, sempre invejei quem fosse. Mas então, porque não trabalhar isso em mim?

Vi uma frase certa vez, que pode ser até de um autor famoso, mas que nunca passou pelas minhas referências que diz “meu amor tem assas, não algemas. Meu amor é ninho, não prisão”. Relendo-a agora, muito provavelmente é só de um pensador desconhecido ligado nuns papos filosóficos. Mas o que eu pude tirar dessas palavras aí, é o meu desejo de ser livre e chegar nesse ponto.

Ao contar minha curta história de romances ou de autopreenchimento, é nítido como sou sempre apunhalado por um qualquer que não tá pronto pra me amar. Eu sempre me deixo apunhalar. Nos últimos tempos, comecei a me amar mais, me aceitar mais e olhar pro espelho e enxergar beleza. O clichê que dizem por aí se mostrou verídico e atraí pessoas. É claro que essas novas pessoas tão interessantes, me fizeram agir como eu sempre agi: pequeno, ciumento, possessivo, medíocre. Por que não explorar mais? Por que não me desconstruir? Por que não levar com leveza? Por que não sair dessa bolha?

Lembrei-me da frase, lembrei-me de montes tibetanos. Lembrei-me de tudo que passei com outros moços bonitos e encantadores, e como não trocaria essas experiências por nada, mas como também gostaria que tudo tivesse sido diferente.

Eu sou um desses fracassos no amor, desses perdidos em crônicas sujas, vazias e chatas. Sou tudo isso aí ainda muito novo, porém ainda muito cheio de vida pra aceitar qualquer definição. Li uma vez que se definir é morrer um pouco, porque ao se definir não pode vir mais nada novo, você já se limitou, não tem mais nada a dizer. Eu não quero me limitar. Quero explorar esse mundo desconhecido, encontrar coisas para amar, e amar direito todas essas coisas.


Lanço nesse momento a minha carta aberta a mim mesmo, sobre explorar o mundo, aprender a amar, a cuidar, a livrar e me livrar de qualquer amarra. A viver um amor, e tentar deixa-lo o mais puro possível. Essa é a minha missão. E encaro todos os desafios a minha frente com coragem, pra quem sabe, ter um final feliz pra contar.