Ele era ótimo
nessa coisa de me fazer odiá-lo, de me fazer desapaixonar. Eu me penetrava em
sua vida, devorava seu corpo e o amava, mesmo que com gestos contidos e
despretensiosos. Ele me penetrava, mas apenas momentaneamente, devorava meu
corpo e nos deliciávamos, mas não me amava.
Era sóbrio de
si, das suas pretensões, sabia o que queria. E sabia que não me queria.
Devorava meu corpo, e mesmo que sem querer, minha alma. Estava lá eu, jogada no
chão do meu quarto ouvindo um álbum que decidi quer seria dele, da minha
história com ele. Sabendo o que queria, ele só me chamava quando era oportuno.
Só me amava quando precisava amar. E eu aceito migalhas tão facilmente. Sou a
louca, a carente, a emocionalmente vulnerável, que acha que pode ser amor se
ele tem tesão por mim, pela minha bunda, mas também é gentil e carinhoso. A
gente ama mesmo é a bunda um do outro. Mas eu queria saber até quando você vai
pegar na minha bunda, e eu na sua, e fingiremos que é só isso que queremos um
do outro?
A gente tá nessa agora, e eu estou
completamente jogada num expectativa que eu mesma criei. Me desculpa. Ame a
minha bunda em paz, só não deixa de ser carinhoso comigo, só não deixa de ser o
homem que mais me amou, que mais amou o meu corpo, o meu cabelo e o meu jeito de
ser, mesmo que o seu amor seja só essas migalhas. As suas migalhas já são muito
mais do que recebi a vida inteira.
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