sábado, 19 de outubro de 2013

Você artista, eu poesia

   Eu não tenho você, ninguém tem. Você se esvai por entre minhas mãos como areia, como água, como sonhos. Eu amo você como um dia de sol, não muito quente, apenas bom. Eu amo você com todo o amor que existe no mundo, mas você não é meu. Você é de você mesmo, de sua vontade de sair pelo mundo com seus all star surrados e um sorriso incrivelmente espontâneo. Eu fico feliz ao pensar nisso, que amo alguém desprendido de qualquer convenção comum, de qualquer preocupação térrea, de qualquer coisa temporal. Você é assim, maior que as estrelas, mais intenso que a maré forte batendo nas rochas, mais brilhante que diamantes, como esses que carrega nos braços, todos os dias de forma natural. Sabe bem que eles são apenas um pouco do que pode brilhar, onde pode chegar.
   Existirá um dia em que você e eu não nos falaremos mais. Existirá um dia que você será um buraco no meu coração. Existirá um dia que outro alguém receberá o seu “eu te amo”. Eu sei que sim, sei que você nasceu pra ter amores inventados, loucos e intensos, de um fim de semana qualquer, em um lugar bonito qualquer. Eu não sou assim, eu provavelmente estarei em busca de algo que me leve mais longe, enquanto você irá sempre buscar mais uma história. Não estou te condenando. Você só é muito melhor do que eu, só é alguém com uma alma muito mais livre, bondosa, quente e que sempre terá um magnetismo forte e único.
    Faça da sua vida uma arte, amor. Você nasceu para isso, sabe disso. Sabe que está no seu sangue, na sua alma, nos seus olhos, em tudo que você faz. Use esse exagero para fazer cor nas ruas e no sorriso das pessoas. No meu já está fazendo, mesmo nos momentos mais sombrios. Mais uma vez; eu amo você por agora. Não sei no futuro, não sei até quando. Acho que para sempre, mas não mais profano palavras. De qualquer maneira, um dia sua ausência será dor, mas será poesia, porque você querido, fez de mim sua arte e só sua. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A tentar

   Eu tenho medo do vento. Eu tenho medo quando o vento sopra forte na minha janela. Eu tenho medo de muitas coisas, e estou com medo agora. Simplesmente não sei de onde vem, e quando vai embora. É uma daquelas sensações estranhas, que eu conectado sempre com meu lado mais emotivo e vulnerável, tenho o desprazer de sentir. Minha montanha russa não está nos altos e baixos agora, está em combustão. Desenfreadamente ardendo por todo percurso.
   É um embaralho só, meu âmago de pétalas de flores. Estou com medo do que pode vir, estou com medo de nunca dar certo. Estou com medo de que minha auto confirmação de que sou uma cópia, inútil, sem talento e sem qualidades se confirme. Minha própria máscara de auto confiança se desfaça no soprar do vento que aflige minha janela agora.
   Por favor, que isso seja passageiro, que um dia eu possa quem sabe viver um amor, sem que eu estrague tudo com crises desnecessárias, ou que pelo menos apareça algo para me abalar. Eu queria desesperadamente ser minha janela agora, e ser açoitado pelo vento. Sentir dor é melhor do que não sentir nada. E eu não sinto nada há muito tempo. Se seu buraco no coração anda maior a cada dia que passa, a cada dia que amanhece, ore por uma tempestade em sua vida. Parece burrice pedir algo assim, mas só com muita mudança eu posso sair desse limbo paralitico que estou agora, só assim posso ter esperanças. É pedir muito? Eu estou aqui, vivo, esperando, morrendo.
   Vamos sair hoje a noite, vamos mais uma vez tentar nos emocionar, nos tocar com algo divertido ou apaixonante. Os excesso de drama são normais, e os amo também, pois me permitem saber que ainda tenho alma, que ainda sou quente por dentro, que ainda basta tentar. Tentar. Esse texto parece apenas o “mal amor” de alguém mal amado, talvez seja isso. Talvez eu seja isso. Mas estou aqui, de qualquer maneira, a tentar. Eu conheço um lugar, onde o sol demora mais pra se por, e quero ser feliz lá. Um dia.