Resolvi
escrever depois de muito tempo. Talvez o final do semestre e todo o estresse
acumulado que me causou doenças tenham me motivado a isso. Talvez o livro
daquela autora de mulherzinha tenha me levado a isso. Não sei. Só sei que estou
eu aqui, nesse momento de transição, entre um nada e outra coisa que não é
nada, perdido. Preocupado se esse texto está justificado e se minha conta
bancária tá no positivo.
Hoje
não fui para a faculdade, nem preciso mais inclusive. Esse ano, apenas para
constar, comecei uma faculdade. Serei um publicitário, um pseudo publicitário
no momento. E não é nada fácil viu? Temos que entender de Freud e Marx, somos
estimulados a ter papos cult durante o intervalo naquela praça de alimentação
hiper capitalista da universidade. Só não somos estimulados a ser marxistas, o
que não faz o menor sentido já que contribuiremos para o sistema. De qualquer
maneira, todos lá querem isso, querem depender de café para viver, ter papos Cult
em bistrôs na sexta feira à noite. Claro, aqueles que realmente querem ser
publicitários; não estou contando aquelas meninas burras que perguntam página
de livros no grupo do Facebook sem se preocupar com o sumário, ou aqueles caras
bombados de pau pequeno que querem comer as meninas burras (que só querem dar
para os mesmos caras bombados de pau pequeno mas veteranos).
Deu
para perceber que acabei o primeiro semestre e já tenho vários problemas com
minha universidade. É inevitável, estudei muito para uma pública, queria acima
de tudo ser um gay, esquerdista, maconheiro, militante e caótico de uma
universidade pública. Contudo, acabei um pseudo alternativo, estranho,
esquerdista, não tão maconheiro assim numa privada. Mas não é de todo mal,
achei o meu lugar e amo lá; por mais que minha simples bolsa estímulo sempre atrase
e não possa assumir muitas prestações justamente por isso.
“Achar
o seu lugar”. Creio que é isso que todos buscam e eu até encontro com certa
facilidade, porém inevitavelmente com meu estranho incômodo e mal de sempre
achar que estou perdendo pessoas, que ali do meu lado, numa sala do terceiro
ano de jornalismo está a possível pessoa mais legal do mundo pra mim e que
simplesmente nunca conversaremos. Como proceder? Tenho aqui, meus amigos também
futuros publicitários, com muita grana e sem tantas preocupações, que passarão
as férias de julho em Los Angeles e que querem imprimir os trabalhos em papel
Couche. Voucher. Cuchê. Sei lá.
Cá
estou eu, nesse lugar meio relativo ao mundo, onde tem muita gente diferente;
afinal uma universidade. A coisa mais irada do ano, talvez da minha vida. Sem
dúvida não estaria falando tanto dela se não fosse. Todavia, mesmo aqui, nessa
nova cidade, nesse quarto que não é mais tão meu, nessa minha pindaíba
universitária (meu Deus a palavra pindaíba existe mesmo), eu tenho aqueles meus
vazios habituais, que se tornaram quase rotineiros. Ora, numa cidade grande,
fria e vazia, sem tantos amigos e ninguém no bairro ao lado para correr e
chorar no colo, como não ter um aumento considerável no seu vazio e solidão? E
possivelmente a minha atual falta de vontade de conhecer pessoas, que sempre me
decepcionam, seja porque tem um papo muito chato, seja porque usam sapatênis,
ou no caso dos possíveis pretendentes, só querem me comer, torna tudo mais
difícil. Começo um papinho acolá e já me desinteresso, e quando rola... Ah,
quando rola assisto um filme do Woody Allen com o sujeito, nos beijamos na cozinha
e transamos. Ponto. Ele fica online no Whatsapp e não me chama. Eu mando oi.
Nada. E daí? Bem, penso, repenso, reflito sobre meu beijo, sobre minha maneira
de chupar, sobre meus dedos e sobre meu cu. Ou, quando nem o filme do Woody
Allen acontece, chupo alguém qualquer, que quer por um cavalo inteiro dentro de
mim no carro e que não quer sujar o mesmo, usando toalhinhas. Olha bem pra
minha cara e veja se eu uso toalhas no sexo oral.
Pronto,
já falei que chupei duzentas pessoas nessa minha nova vida e que faço reflexões
a cada pau que chupo. Já disse que sou meio louco e penso demais e que no fundo
gostaria de ser um menino rico, bombado, de pau pequeno com um carrão, ou uma
menina rica, burra, loira, com um iphone e que dá para os veteranos e se
possível troca uns minutos da vagina por um trabalho do primeiro ano. Não é
mais fácil? Pegar um livro da Marilena Chauí e nada mudar. Não levar tapas na
cara quando Freud começa a cutucar Ana O. Nem ficar em transe enquanto a
professora USPiana de sociologia, com certeza maconheira, fala de como o
MCDonald’s explora seus funcionários. Levar tudo numa boa, indo no entorta bixo
ou numa dessas festas de uns caras bêbados, de drinks ruins e cerveja ruim.
Bom,
não sou assim. Tô numa universidade privada, só com uns trocados no bolso,
vivendo de baratíssimo do Subway e olhe lá. Feinho, com roupinhas meia boca e
um tênis lindo novo dividido em 5 vezes na C&A. Ah, agradeço essas pequenas
coisas, e por mais que não tenha muita grana nem muitos amores espero aqui,
quietinho comendo croissant de chocolate, a minha vez de ser um publicitário
bem sucedido.
Sobre
os caras, seus paus, meus amores e minhas reflexões não há muito que fazer.
Talvez fique ai a vida toda, chupando e
chorando. Pensando no que fiz errado ou não fiz. Talvez eu sempre faça
isso, vá pra balada, fique mega perdido, sem dinheiro pra ficar bêbado e dançar
muito e incomodado com minhas roupas. Talvez aquele menino, da mesma faculdade
que eu, e mesmo curso, se interesse por mim sempre, me ache fofinho, engraçado
até. Me beije, me beije bem mas seja tão carente que me expele logo de cara.
Não sei. Sou tão vazio no peito e tão carente, mas simplesmente detesto isso em
qualquer um que não seja eu. Problemas. Sim, eu tenho. E nem sei mais do que tô
falando. Não quero ser um vazio que entrega o jogo fácil. Não quero que me
fodam e não respondam no dia seguinte. Mas eu meio que busco isso e fujo de
gente legal. Pego o carinha bonitinho da faculdade e quando o vejo pelos
corredores entro em uma sala qualquer para fugir. Porque gente legal me
assusta?
Saudades
das pequenas preocupações, vontade de passar logo por tudo isso e realizar meu
sonho de morar num apartamento pequeno, com dois gatos, livros e um monte de
réplica de uns quadros legais que conheci na faculdade, já que publicitários
devem entender de arte e dediquei grande parte do meu tempo para entender tal.
Cozinhar macarrão, trabalhar nos meus Jobs, ler jornal e discutir politica no
bar com uns amigos, mas claro, também falar do pau do carinha da noite passada.
Só não sou mais vazio porque tenho sonhos que me motivam, e sabe de uma coisa?
Sempre os terei.
Não
sei concluir o que acabo de escrever, não sei se tem conclusão. É a minha vida.
Meu primeiro semestre de um momento da minha vida com gosto diferente. Um gosto
que espero mudar sempre. Bleh.