Na minha primeira aula na faculdade no curso
de publicidade, diga-se de passagem, tive contato com meu professor de criação.
Já nesse dia ele discursou sobre nossa bolha. E de como era necessário
expandi-la para ser um publicitário e principalmente um criativo. Ele contou
sobre a importância de ter contato com as mais variadas coisas, de visitar,
conhecer e experimentar o que de imediato não nos atrai, mas é fundamental
conhecer. Assim, poderíamos ser criativos melhores, e buscaríamos referências
nas mais diversas peculiaridades do mundo. Enchi meus olhos já no primeiro dia.
Quis sair imediatamente e conhecer museus, feiras livres, concertos de óperas e
bailes funk também. Tive uma necessidade súbita de ouvir música clássica e MPB,
conhecer a cultura francesa e também a indiana e entender um pouco mais de
história. Com isso poderia bater no peito e dizer “sou a porra de um
publicitário”, ou pelo menos “estou no caminho certo para ser a porra de um
publicitário”.
Um tempo depois me perguntei como conhecer
coisas boas. Percebi também como sou uma merda de pessoa. Como minha biblioteca
de músicas é limitada, como li poucos clássicos da literatura e como vi poucos
filmes de Truffaut e Woody Allen. Fui para o chão. Minha bolha era minúscula e
desesperadamente me perguntava: como aumenta-la? Ir a museus sozinho? Estudar
história da arte sozinho? Pesquisar por Caetano Veloso no Google? De repente
imaginei que pessoas é que mudavam nossos hábitos e gostos. Que pessoas novas
que entravam na nossa vida é que nos apresentavam a algo bom e que nem
imaginávamos existir. Assim como alguns amigos me apresentaram o rock
alternativo há uns anos atrás. Assim como uma amiga me ensinou o valor de um
bom filme europeu. Assim como outra amiga me mostrou como era profundo um rap.
Isso não me ajudou. Pois me deparava com um dilema: pessoas não surgem quando
queremos. E se precisava delas para crescer teria que esperar, teria que
esperar?
Ainda estou nessa. Tentando descobrir coisas
novas e lendo um livro cá e outro acolá. Na própria faculdade conheci alguns
artistas bacanas, entendi um pouco mais da sociedade e acredito que estou num
caminho bem legal. Pessoas? Ainda não apareceram. Os novos amigos da faculdade
estão na mesma que eu e são inclusive muito parecidos, não me acrescentando
muita coisa. Não quero ficar dependente de gente que nem sei se existe ou se
vai aparecer, mas estou aberto a elas. Não tenho medo de mudar de gosto e de
opinião e tudo o que eu mais quero é uma bolha enorme, cheia de pluralidade e o
menos limitada possível.
Nenhum comentário:
Postar um comentário