Às
vezes acho que a culpa de grande parte dos meus problemas é a minha preguiça,
que me impede de procurar um terapeuta. Eu preciso tratar a minha
instabilidade, a minha dramatização de tudo. Porque sim, admito que sou o
exagero em pessoa. Acredito que minha vida é um drama, mas não, ela não é. Eu
não tenho tanta história pra contar. Eu não tenho tanta gente entrando e saindo
assim da minha vida. Tem só minhas crises de vez em quando, ocasionadas por
coisas insignificantes. Sempre fui assim. Foi desse jeito demasiado infeliz e em
excesso que pensei no suicídio lá na adolescência, que de fato jamais teria
coragem de fazer. Nem mesmo me cortar e ser um emo decente eu pude. Sempre tive
medo do sangue e nunca quis realmente me ferir. Fui uma overdose de pessoa
quando liguei, na quinta série, pra mãe do meu ex melhor amigo, tentando ser
anônimo, e dizendo que ele havia me dado um soco no colégio. Extrapolei ao chorar como se não houvesse amanhã,
quando aquele garoto que eu poderia, e só poderia, ter me apaixonado, saiu com
outro para um escurinho. Eu vivo intensamente as poucas coisas, porque parece
que delas minha vida é feita. Então sim, choro por coisas que nem começaram.
Sorrio por essas coisas também. Escrevo sobre meus sentimentos medíocres,
egoístas e imaturos, já que nada melhor tenho pra escrever. Procuro e procuro por
histórias avassaladoras, que me deixem no chão da cozinha, mas só consigo bons
papos nela. Faço promessas a entidades que não tenho fé, em busca de algo que
nem sei. E posso ser sim infantil, birrento, realista ou emotivo demais,
dependendo da situação, contudo, ninguém pode negar que eu tenho esperança.
Dramatizando minha vida, eu preparo o terreno pra uma vida que espero ter. Chorar
por quem merece minhas lágrimas. Sorrir por quem realmente merece meus
sorrisos. Correr sem direção a alguém que está de braços abertos pra mim. E por
uma vez só, uma vez só é tudo o que eu peço, tornar todo esse drama, em coisa
concreta, boa, simples e feliz..
segunda-feira, 27 de abril de 2015
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Mágoas
Eu
sem você não sou nada, eu sem você sou apenas mais um vagando entre essa gente
sem rumo. Sempre disseram que éramos partes que se completavam. Por mais que a
teoria de que dois inteiros é que formam um relacionamento, sempre gostei de
pensar que você era a minha outra parte nesse mundo. É o que diziam e é o que
eu sentia. Quando conversávamos sobre aquele álbum novo de rep, quando fumamos
juntos, quando saíamos por aí sem saber aonde chegaríamos. Eu tinha certeza que
seríamos sempre isso. Mas há mágoas. Há coisas que a gente põe no armário,
empurra com a barriga... E quando vê, tá tudo caindo sobre nossas cabeças.
Existe um oceano inteiro entre nossos corações. Não nos identificamos mais. Não
nos vemos mais no olhar do outro. E todos ficam chocados. Todos se sentem mal
por errarem os palpites de que seria pra sempre. Se nós não damos certo,
ninguém mais dará, é o que pensam. Parceiros perfeitos, amizade mútua. E a
mágoa leva. A vida se encarrega de pegar, e deixar saudade, ou às vezes, só
mesmo o vazio. E você tá ocupado demais com seu trabalho, sua cerveja barata,
seu cigarro ruim. E eu continuo aqui, magoado, ferido. Os dois achando que o
outro não foi o suficiente. Exigimos sempre tanto dos outros. Exigimos sempre
tanto uma doação dos outros, mas esquecemos de nos doar. O mundo tá tão
egoísta. O que será do futuro das relações? Uma família Jetson feita hoje
poderia apostar num mundo de solidão. Ah, talvez seja a mágoa falando mais alto
agora. Muito provavelmente ainda haja esperança no mundo, e apenas nós que
somos fracos e individualistas. As pessoas ao nosso redor erraram o palpite
pois não puderam prever que somos burros demais pra ouvir o outro. E todos os
álbuns e drogas, e conversas triviais e aventuras juntos... Tá tudo entrando
numa ida sem fim pra sessão nostalgia da nossa memória. E nossa vida? Ela
continua. Rápida, vazia e magoada.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Rotina
Você
acorda e faz seu café, mesmo com a dor no estômago. A dor de ficar sem cafeína
é pior. Pela manhã faz as coisas meio que motivado, por mais que se canse em
vários momentos. É difícil não se entediar nesses tempos modernos. No almoço
quer ir a algum restaurante bacaninha e fingir que está em Sex And The City.
Mas tudo o que você tem é um pouco de carne no congelador e o arroz de ontem na
sua casa. Pela tarde é necessário mais cafeína. O sono vem sem atenuante, sem
modéstia ou receio. O que melhor você teria para fazer nessas lindas horas
vespertinas, se não dormir? Mas você tem que ganhar o dinheiro pra comprar
aquela calça nova, sair com aquele carinha do Tinder no sábado e finalmente
pagar sua amiga. O fim de tarde chega, e em 50% dos dias você sente que
realmente foi um dia produtivo, e nos outros 50% você acredita que não fez nada
útil desde que acordou. Os dias têm lá suas exigências diferentes, e nem sempre
você precisa se esforçar tanto. E então, vem a noite. Tem mais jantar pra fazer,
e arroz e feijão, e mais carne pra descongelar. Tem louça. Mas também tem banho
quente, e ah, como é bom banho quente! Tem a sua série do momento, mas tem
também crise. Por que tudo isso? Você está realmente fazendo certo? E esse vazio?
Você tá na profissão certa? Procurando amigos e pessoas pra se relacionar no
lugar certo? Você vai ser feliz assim? E se tudo foi um engano? E se seu caminho
não deveria ter sido esse? Não era pra você se sentir mais preenchido? O vazio
é o mesmo, aquele que te consome quando não lhe resta ninguém. É impossível,
porém dizer como é não senti-lo. A gente esquece que no dia seguinte tá lá
fazendo café de novo, e que nem vai lembrar que chorou com saudade de casa na
noite anterior. Que refletiu, refletiu e a conclusão nenhuma chegou sobre o
rumo que está dando a sua vida. Até aonde vai chegar indo por esse caminho? Até
onde você quer chegar? E quer chegar com esses seus pseudos talentos mesmo? Seu
lado fraco fala, grita. Você duvida
de si mesmo. É tão difícil sair da zona de conforto, é tão duro não saber ao
certo pra onde está indo. É a falta de alguém? É a falta da identificação com
algo? A felicidade é algo que você não sabe lidar muito bem, ela é inconstante
para ti. Ela vai e vem sem piedade. Só resta o vazio. E tenta aprecia-lo, dizer
que faz parte de si e que tem beleza na solidão. Talvez até tenha. Mas porque
viemos para o mundo para tanta solidão? E vai ser sempre assim? Há tantas
perguntas, há tantas dúvidas, há tanta saudade da mãe. Mas a única coisa que
resta é sua cama agora. Sua cama e amanhã talvez, se tudo seguir no caminho,
mais uma xícara de café e mais um dia possivelmente produtivo, possivelmente não.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
O maldito "Q" a mais
Você
acha que tem tudo. Que tem um chão, que tem segurança, que tem estabilidade.
Que tem controle sobre sua vida acadêmica, sobre a vida dos seus amigos, sobre
seu dinheiro. Você acha que na verdade só falta um rumo pra sua vida, porque de
resto tá tudo bem. Você sai com um cara, e é incrível. Você sai com esse cara e
quer mais. Tem medo de onde pode levar, mas é tão bom, é tão juvenil, é tanta
poesia e coisa boa na sua vida. Mas é claro que autocontrole não é uma
característica muito presente em você. E de repente, todo seu chão se vai. Toda
sua fraca estabilidade, sua pobre segurança são engolidos por um mar de
insegurança, de medo, de incerteza. Sua base nunca fora muito bem cultivada.
Você estava passível de ser afetado por todas as feridas nunca cicatrizadas. E
claro, que se seu chão se vai assim, você põe a mão entre as pernas (é assim o
ditado?) e não vai pra frente. O seu buraco negro cresce. Não era paixão. Mas
era um encantamento. Sabe aquele “Q” que algumas pessoas carregam? Sabe aquela
coisinha a mais que sua avó disse ter
encontrado no seu avô, e por isso se casaram? Às vezes eles nem tiveram tempo
de se apaixonar, e casaram, por todo o contexto, mas eles tinham aquele maldito
“Q”. E você jura que encontrou aquele “Q”, mas as pessoas não são formas, não
são perfeitinhas e sei lá, não passam pelos mesmos filtros, não admiram as
mesmas coisas. E então, você não foi o “Q” dessa pessoa. E é por isso que o
vazio te consome agora. É por isso que achas que o vazio sempre consumirá. Nem
é falta de candidatos, ou de procurar. Mas parece que temos – e digo no plural,
porque encontro muito mais gente nessa por aí – a mania de querer quem não quer
a gente. A mania de achar que a pessoa só não gosta da gente ainda, porque não
nos conhecemos direito. Não! Sabe quando você sai com alguém, e é legal, mas é
só isso? E você quer que ela transe com você e saia da sua cama? Você é esse
que deve se levantar e ir embora. E enquanto isso você tá lá achando que foi a
melhor transa da sua vida. Mas o “Q” não está em duplicidade no caso. Você
precisa já se despedir desses olhos castanhos. Dessa boca torta. Desse olho
vermelho de tanto coçar. Dessa cabeça inquieta. Porque só você sentiu, e quer
saber? Isso já tá bom demais.
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