Quando você chega a uma
cidade nova tudo tem um gosto especial, a primeira vez que vê as pessoas que
serão suas melhores amigas daqui pra frente, ou as pessoas que inicialmente são
amigas, mas o tempo passa e as leva antes mesmo de grandes emoções estarem
envolvidas. A primeira vez que conhece um bairro novo, pega um ônibus
desconhecido. Em uma cidade nova não há o pudor de conversar com um estranho,
ninguém sabe quem você é mesmo, e então você conhece pessoas no ponto de ônibus, na
fila do banco, no estacionamento do shopping.
Só há um problema, em
algum momento você constrói laços sólidos e também uma rede de conhecidos, e agora
existe um nome a zelar. Tudo o que eu disse acima para de fazer sentido e você
sente que os olhares podem voltar-se a qualquer momento pra ti.
Uma amiga disse que
estava cansada da nossa ex nova cidade, agora apenas nossa cidade. O meu
processo de desapego da minha cidade natal foi muito rápido e intenso, o dela
com certeza não. Mas me pegou de surpresa sua declaração. O que é estar cansada
de uma cidade?
Eu sai do interior
dizendo que nunca mais voltaria, chorando sim pela dor da saudade iminente, mas
eu nunca mais pretendia morar lá. Aqui, agora, eu olho pro gostinho especial do
começo e sinto uma saudade, e vejo que eu e todos os meus amigos de lá que
estão ainda aqui comigo não são mais os mesmos. Aquilo já é passado, um tempo
distante que está presente dentro dessa vida que era pra ser nova. Minha amiga
está cansada da cidade, das pessoas talvez, mas pode ser que ela só queira
sentir o gostinho do novo de novo. Descobrir o que tem ao virar cada esquina
nova, sentir o ar de um ambiente novo.
Algumas horas depois do
“estou cansada dessa cidade” fui ao meu whatsapp e olhei todas as últimas
conversas, pra lembrar a mim quem é que estava fazendo parte realmente da minha
vida nesse momento. Daquela época do começo alguns gatos pingados, que eu amo
muito aliás. Amigos do interior alguns também, e notei que está tudo
fragmentado, amizades de anos, amizades de meses, e percebi que ainda há o
mistério ao virar em uma esquina, porque a vida é tão louca e tem tanta gente
no mundo, que alguém novo pode surgir assim do nada. Eu não fico sedento
esperando que a vida me traga uma infinidade de contatos, amizades de saídas
rápidas ou coisas do tipo. Pode ser que num ano inteiro apareçam uma ou duas
pessoas que façam valer a pena. E pode ser que o ano me leve mais pessoas do
que traga, mas é tudo uma questão de aqui e agora, e de aproveitar o que cada
um pode nos dar com humildade. É tosco, mas a questão é qualidade e não
quantidade.
Tenha sempre o gosto do
novo na boca estando aberto a ele, enxergue possibilidades por onde passa, veja
esperança nessa sua cidade que acha incapaz de te trazer coisas novas. Há a
chance, e eu afirmo que ela é grande, de você voltar a se apaixonar por esse
novo lar.