segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O mundo é um lixo

Sua cabeça doía muito quando chegou em casa exausto, pensando em tudo que ocorrera no dia e em como gostaria de não ter vivido nada daquilo. No caminho de volta tudo girava e a náusea lhe afetava. Sentou na sua cama, abriu a janela e acendeu um cigarro. Riu de si mesmo por fumar nesse momento que seu corpo pedia por saúde.

No celular, dois amigos e um casinho lhe chamavam, mas ele estava envolvido em seus próprios devaneios e sedento por sua solidão. O mundo podia explodir, ou se isso fosse trágico demais, só ele. Sua existência era desnecessária, incômoda e insignificante. O mundo não dava a mínima pra ele pensou, sou dramático pensou em seguida. O terceiro cigarro já estava entre seus dedos quando lembrou-se de sua mãe, dela herdava as dores de cabeça, o mal humor e também a certeza de que o mundo não lhe dá nada, e que só nós mesmos nos preocupamos com nossa felicidade e bem-estar.

Ninguém o fizera mal diretamente, ele que se acabava com o álcool, os cigarros e a vontade de desaparecer de tudo e todos constante em sua vida. Porém as pessoas o irritavam, era dotado de uma postura incomum em relação à sociedade: todos são um lixo. Era passageiro, sabia. Amanhã amanheceria bem, com vontade de falar com todas as pessoas que ignorava nesse momento, mas lhe incomodava tanto a maneira como essa tristeza e essa raiva, essa angústia e agonia vinham. Queria afastar todos, para o bem deles às vezes, outras para o seu próprio bem. Ou seria prazer?

Tinha uma incerteza profunda do que fazer a seguir, tinha um desejo surreal de ver beleza no mundo. Tinha a mais pura vontade de que as coisas fizessem sentido e que um dia parasse de ser só, de se fazer só, ou melhor, de se querer só.

O personagem dessa história vive solitário em sua bolha, como tantos outros no mundo. O personagem dessa história só quer ser amado, tem vontade de amar, mas medo demais talvez, ou essa coisa estranha de querer e de repente não querer mais. Porque ele é confuso, pessimista e não entende o que sente.  O personagem dessa história pode ser qualquer um, que por um motivo claro ou não, parou de enxergar a luz das coisas. 

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