Sua cabeça doía muito
quando chegou em casa exausto, pensando em tudo que ocorrera no dia e em como
gostaria de não ter vivido nada daquilo. No caminho de volta tudo girava e a náusea
lhe afetava. Sentou na sua cama, abriu a janela e acendeu um cigarro. Riu de si
mesmo por fumar nesse momento que seu corpo pedia por saúde.
No celular, dois amigos
e um casinho lhe chamavam, mas ele estava envolvido em seus próprios devaneios
e sedento por sua solidão. O mundo podia explodir, ou se isso fosse trágico
demais, só ele. Sua existência era desnecessária, incômoda e insignificante. O
mundo não dava a mínima pra ele pensou, sou dramático pensou em seguida. O
terceiro cigarro já estava entre seus dedos quando lembrou-se de sua mãe, dela
herdava as dores de cabeça, o mal humor e também a certeza de que o mundo não
lhe dá nada, e que só nós mesmos nos preocupamos com nossa felicidade e
bem-estar.
Ninguém o fizera mal
diretamente, ele que se acabava com o álcool, os cigarros e a vontade de
desaparecer de tudo e todos constante em sua vida. Porém as pessoas o
irritavam, era dotado de uma postura incomum em relação à sociedade: todos são
um lixo. Era passageiro, sabia. Amanhã amanheceria bem, com vontade de falar
com todas as pessoas que ignorava nesse momento, mas lhe incomodava tanto a
maneira como essa tristeza e essa raiva, essa angústia e agonia vinham. Queria
afastar todos, para o bem deles às vezes, outras para o seu próprio bem. Ou
seria prazer?
Tinha uma incerteza
profunda do que fazer a seguir, tinha um desejo surreal de ver beleza no mundo.
Tinha a mais pura vontade de que as coisas fizessem sentido e que um dia
parasse de ser só, de se fazer só, ou melhor, de se querer só.
O personagem dessa
história vive solitário em sua bolha, como tantos outros no mundo. O personagem
dessa história só quer ser amado, tem vontade de amar, mas medo demais talvez,
ou essa coisa estranha de querer e de repente não querer mais. Porque ele é
confuso, pessimista e não entende o que sente.
O personagem dessa história pode ser qualquer um, que por um motivo
claro ou não, parou de enxergar a luz das coisas.
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