Me acostumei com minha
companhia, com minha risadas idiotas e solitárias. Fico tranqüilo na minha
presença crua, falo em voz alta, converso comigo mesmo. Acreditem, chegar nesse
estado de bem-estar não é fácil, o caminho passar por várias tristezazinhas de sábado
a noite em casa, crônicas avulsas sobre amor não correspondido e álbuns pop
depressivos. Estou bem agora, estou centrado. Estou em paz.
Então ele aparece nesse
momento. De mansinho e sorrateiro, sussurrando no meu ouvido piadinhas toscas.
Fazendo-me rir. Ainda em paz. Talvez por isso que demorei tanto tempo pra
sentir vontade de sentar na frente de um computador e dilacerar tudo o que tem
aqui dentro. Estou em paz comigo, com ele,
com o mundo. Não tenho precisão de gritar, de escandalizar. Não tenho vontade
de chorar porque eu quero mais ou sinto mais, mas só posso ser usado. Não tenho
passado por nada disso e é tudo culpa dele.
De sua estabilidade e segurança, de seu jeito carinhoso e recíproco.
Tenho dado todos os beijos quando a vontade dá, tenho passado a mão em todos os
lugares quando a vontade dá, tenho esfregado a ponta dos meus dedos por todos
os cantos, fendas, buracos, lesões e espaços, a fim de lhe conhecer melhor, lhe
explorar.
Meu corpo é seu, e o
teu é meu e, de mansinho, a gente vai se amando. De uma forma que eu nunca fiz
antes, de uma maneira saudável e calma que jamais havia experimentado.
Ele me deixa amar do
jeitinho que eu sempre pensei que deveria ser, ou até melhor. Ele me permite
ser eu mesmo e nesse ponto da vida é tudo o que eu precisava.
Há algum tempo vê-los
saindo acompanhados da festa e me deixando dançando sozinho já não faz mais
sentido. Agora felizmente o que faz sentido mesmo sou eu bem.
Me deixa passar um
pouquinho dessa explosão doce de dentro de mim pra você. Nós dois vamos ganhar
muito com isso. Entra nesse mar junto comigo, embarca que eu vou também. Vem de
mansinho que eu vou sorrindo, mas venha.
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