quarta-feira, 11 de novembro de 2015

De mansinho e sussurrando.

Me acostumei com minha companhia, com minha risadas idiotas e solitárias. Fico tranqüilo na minha presença crua, falo em voz alta, converso comigo mesmo. Acreditem, chegar nesse estado de bem-estar não é fácil, o caminho passar por várias tristezazinhas de sábado a noite em casa, crônicas avulsas sobre amor não correspondido e álbuns pop depressivos. Estou bem agora, estou centrado. Estou em paz.

Então ele aparece nesse momento. De mansinho e sorrateiro, sussurrando no meu ouvido piadinhas toscas. Fazendo-me rir. Ainda em paz. Talvez por isso que demorei tanto tempo pra sentir vontade de sentar na frente de um computador e dilacerar tudo o que tem aqui dentro.  Estou em paz comigo, com ele, com o mundo. Não tenho precisão de gritar, de escandalizar. Não tenho vontade de chorar porque eu quero mais ou sinto mais, mas só posso ser usado. Não tenho passado por nada disso e é tudo culpa dele.  De sua estabilidade e segurança, de seu jeito carinhoso e recíproco. Tenho dado todos os beijos quando a vontade dá, tenho passado a mão em todos os lugares quando a vontade dá, tenho esfregado a ponta dos meus dedos por todos os cantos, fendas, buracos, lesões e espaços, a fim de lhe conhecer melhor, lhe explorar.

Meu corpo é seu, e o teu é meu e, de mansinho, a gente vai se amando. De uma forma que eu nunca fiz antes, de uma maneira saudável e calma que jamais havia experimentado.

Ele me deixa amar do jeitinho que eu sempre pensei que deveria ser, ou até melhor. Ele me permite ser eu mesmo e nesse ponto da vida é tudo o que eu precisava.

Há algum tempo vê-los saindo acompanhados da festa e me deixando dançando sozinho já não faz mais sentido. Agora felizmente o que faz sentido mesmo sou eu bem.

Me deixa passar um pouquinho dessa explosão doce de dentro de mim pra você. Nós dois vamos ganhar muito com isso. Entra nesse mar junto comigo, embarca que eu vou também. Vem de mansinho que eu vou sorrindo, mas venha. 

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