Você chega. Amarram-te
uma fita de pano no pulso e dizem “boa festa”. Você não conhece ninguém, mas
ama a vibe porque sente falta disso em sua vida. Tem aquele cara de dreads. Tem
aquela garota de saião florido. Tem a mina largada e o cara de saia. Tem
aqueles tipão estranho tomando uma breja. E você ama tudo isso. Entra na casa e
há frases nas paredes, e desenhos e palavrões. Falam da mãe, do sexo, das
besteiras. Fazem um rabisco no mundo e uma afronta à moral e aos bons costumes.
Olhos vidrados. Tem um papo meio marxista, meio machonheiro, meio de esquerda. As minas falam de elitizado e você
se sente mal por ser daquela universidadizinha
cara. Ri de si mesmo. Tu tá numa puta festa, com um povo afinzão de chá e que
te aceita do que jeito que é. Você pensa “que festa irada!” e dá uma vontade
louca de conversar com todo mundo. Tá chapadão e troca uma ideia, bola um beck e nossa que puta festa!
Olhando a parede,
imaginando essa festa toda na sua casa, vem um mundo inteiro e colorido na sua
cabeça. Onde estão as outras pessoas do universo? Enfrentei meus limites, os
superei. E de repente nessa vibe super louca e vibrante aparece uma galera
correndo. Eita. É tiro? É tiro! O coração dispara e tu pensas se é a polícia.
Agora sou maior de idade, que ca*****.
As pessoas agacham e uma mina louca vem e desliga o som. A parada é séria. Ainda
se usa parada? Você vai para o chão e imagina a vida toda... indo. As pessoas
se olham e pensam “que puta festa”. E você percebe que não é a polícia coisa
nenhuma, é um vizinho frustrado que não ejacula que decidiu pegar sua arma e
atirar em pobres universitários que apenas queriam se divertir. Que puta festa.
Os cincão valeram a pena! Agora, em
meio a esses tiros, e esses gritos, a esses “tem alguém ferido?” você procura
seus amigos. Imagina se um deles morre?
Corre que nem doido, com uma galera que nem se abalou com ocorrido
atrás. Acha a amiga e o amigo e decidi ir embora. Que puta festa. Mas teve
tiro! Teve tiro!!! Sai pegando a carona e desejando uma boa sorte pra todos.
Para aquele cara de dreads, a mina de
saião, o cara de saia e a galerinha florida, paz e amor, maconha e Marx. A
festa acabou. Que puta festa. A volta é uma viagem só e um desejo incontrolável
de escrever sobre ela. Que puta festa.