quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Vende-se uma festa na minha casa

  Você chega. Amarram-te uma fita de pano no pulso e dizem “boa festa”. Você não conhece ninguém, mas ama a vibe porque sente falta disso em sua vida. Tem aquele cara de dreads. Tem aquela garota de saião florido. Tem a mina largada e o cara de saia. Tem aqueles tipão estranho tomando uma breja. E você ama tudo isso. Entra na casa e há frases nas paredes, e desenhos e palavrões. Falam da mãe, do sexo, das besteiras. Fazem um rabisco no mundo e uma afronta à moral e aos bons costumes. Olhos vidrados. Tem um papo meio marxista, meio machonheiro, meio de esquerda. As minas falam de elitizado e você se sente mal por ser daquela universidadizinha cara. Ri de si mesmo. Tu tá numa puta festa, com um povo afinzão de chá e que te aceita do que jeito que é. Você pensa “que festa irada!” e dá uma vontade louca de conversar com todo mundo. Tá chapadão e troca uma ideia, bola um beck e nossa que puta festa!
Olhando a parede, imaginando essa festa toda na sua casa, vem um mundo inteiro e colorido na sua cabeça. Onde estão as outras pessoas do universo? Enfrentei meus limites, os superei. E de repente nessa vibe super louca e vibrante aparece uma galera correndo. Eita. É tiro? É tiro! O coração dispara e tu pensas se é a polícia. Agora sou maior de idade, que ca*****. As pessoas agacham e uma mina louca vem e desliga o som. A parada é séria. Ainda se usa parada? Você vai para o chão e imagina a vida toda... indo. As pessoas se olham e pensam “que puta festa”. E você percebe que não é a polícia coisa nenhuma, é um vizinho frustrado que não ejacula que decidiu pegar sua arma e atirar em pobres universitários que apenas queriam se divertir. Que puta festa. Os cincão valeram a pena! Agora, em meio a esses tiros, e esses gritos, a esses “tem alguém ferido?” você procura seus amigos. Imagina se um deles morre?  Corre que nem doido, com uma galera que nem se abalou com ocorrido atrás. Acha a amiga e o amigo e decidi ir embora. Que puta festa. Mas teve tiro! Teve tiro!!! Sai pegando a carona e desejando uma boa sorte pra todos. Para aquele cara de dreads, a mina de saião, o cara de saia e a galerinha florida, paz e amor, maconha e Marx. A festa acabou. Que puta festa. A volta é uma viagem só e um desejo incontrolável de escrever sobre ela. Que puta festa.