Eu
esperei como um tolo você me procurar, esperei você me mandar uma mensagem, ou
quem sabe até ligar. Dizer que estava tudo bem e que queria me ver hoje. Eu
esperei poder te ver de novo, esperei poder conversar com você de novo. Esperei
angustiado na minha cama por aquele cheiro do seu corpo depois do sexo. Aquele
cheiro tão bom e único. Esperei você dizer que estava gostando de mim, e que
queria mais disso que estávamos tendo. Esperei que dissesse que o sexo comigo
era diferente. Esperei que dissesse também que nunca tinha falado certas coisas
pra ninguém, até eu aparecer. Esperei que sentisse em mim aquela coisa que
sentimos com poucos, que não sabemos explicar, mas que é forte. Esperei que
quisesse tomar mais uma cerveja comigo, enfim a saideira. Esperei que dissesse
que eu fico lindo fumando. Esperei que me mandasse um bom dia despretensioso.
Esperei que dormíssemos juntos mais uma vez. Eu esperei tantas coisas, que
nunca foram prometidas, só porque eu espero sempre demais e me castigo por
isso.
domingo, 29 de março de 2015
sábado, 28 de março de 2015
A beleza da solidão
Tente
sempre achar beleza na solidão. Não se martirize, não encontre motivos para sua
angústia. A beleza na solidão está no contato mais profundo com o que você tem
aí dentro. Tudo bem ficar triste às vezes, querer ser diferente, achar que tudo
o que faz tá errado. Mas sua solidão é parte de você, um parte importante, que
te preenche. A ficção nos diz que precisamos de um grande amor para ser
felizes. A igreja diz que precisamos nos casar. Nossos pais nos perguntam
quando vamos “aquietar”. Nossos amigos esfregam seus relacionamentos em nossas
caras. Mas por quê? A gente não pode seguir a vida sem ter que dividir tudo com
outra metade? E que história é essa de metade? Não deveríamos ser duas vidas
inteiras que compartilham sentimentos? Tá tudo tão errado. As pessoas depositam
suas carências, suas angústias no primeiro que passa e dá alguma atenção. Faça
sua solidão, que é só sua, sua arma para evitar desvios. Ninguém precisa de
outro alguém pra se amar. Pra se entender. Pra se divertir. A vida é feita de
tanta coisa, de tanta gente amiga, de tantas possíveis novas experiências.
Então porque infernos tudo o que você quer viver é um grande amor? Você quer
mesmo o amor, ou quer comprar o que te vendem? Ou quer sentir algo, a dor
talvez que sempre chega, em algum momento? Compre somente a sua felicidade,
consigo mesmo, com seus amigos, com seus pequenos vícios, com seus pequenos
momentos de paz. Não deseje a vida de outra pessoa. Não deseje outra vida.
Abrace sua solidão, como uma velha amiga. Como alguém que pode te trazer tantas
coisas... A beleza da solidão está principalmente na chance de enxergarmos beleza
em nós mesmos.
sexta-feira, 13 de março de 2015
Pura Inocência
Eu
fui muito inocente ao achar que você queria estar comigo. Pura inocência a
minha achar que abraçaria todos os meus defeitos, meu jeito estranho de falar,
de fazer sexo, de amar, de brincar, de ver o mundo. Pura inocência foi achar
que alguém tão livre, tão sexual, tão sábio de si mesmo teria algo com alguém
assim, como eu. Imagina me apresentar para os seus amigos cults? Que estranho
eu seria. Inocência a minha achar que eu seria mais do que uma trepada de fim
de semana, de um caso rápido, gostosinho e simples, que em nada complica porque
é só isso. Mas eu esqueci de avisar, que eu complico tudo. Que eu me apaixono
por momentos pequenos, que eu sou sedento por histórias, e que ao me dar
histórias boas e inesquecíveis, você entra pra sempre em minha vida, que você
vira poesia em mim. Inocente eu fui, tentando acreditar que era possível. É que
sou preso demais, frágil demais, estúpido demais e carente demais. Não precisa
disso não. Pode ser leve, pode ser simples. Pode ser só isso. Eu só preciso
trabalhar nisso. Não complicar tudo e levar com leveza, assim como você. Umas
cervejas, uns carinhos e música. Um bom papo. Às vezes isso é o mais importante
e tudo o que alguém pode te dar. E você deve aceitar. Nem todos podem oferecer
o que você tem a dar, o que você gostaria de receber. Não dói. Nem é agoniante.
É apenas a constatação dos fatos. De que hoje, agora, sozinho, eu sou tudo o
que não queria ser, e você, provavelmente, é tudo o que queria ser. Feliz, amado
por uma noite e livre.
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