Tente
sempre achar beleza na solidão. Não se martirize, não encontre motivos para sua
angústia. A beleza na solidão está no contato mais profundo com o que você tem
aí dentro. Tudo bem ficar triste às vezes, querer ser diferente, achar que tudo
o que faz tá errado. Mas sua solidão é parte de você, um parte importante, que
te preenche. A ficção nos diz que precisamos de um grande amor para ser
felizes. A igreja diz que precisamos nos casar. Nossos pais nos perguntam
quando vamos “aquietar”. Nossos amigos esfregam seus relacionamentos em nossas
caras. Mas por quê? A gente não pode seguir a vida sem ter que dividir tudo com
outra metade? E que história é essa de metade? Não deveríamos ser duas vidas
inteiras que compartilham sentimentos? Tá tudo tão errado. As pessoas depositam
suas carências, suas angústias no primeiro que passa e dá alguma atenção. Faça
sua solidão, que é só sua, sua arma para evitar desvios. Ninguém precisa de
outro alguém pra se amar. Pra se entender. Pra se divertir. A vida é feita de
tanta coisa, de tanta gente amiga, de tantas possíveis novas experiências.
Então porque infernos tudo o que você quer viver é um grande amor? Você quer
mesmo o amor, ou quer comprar o que te vendem? Ou quer sentir algo, a dor
talvez que sempre chega, em algum momento? Compre somente a sua felicidade,
consigo mesmo, com seus amigos, com seus pequenos vícios, com seus pequenos
momentos de paz. Não deseje a vida de outra pessoa. Não deseje outra vida.
Abrace sua solidão, como uma velha amiga. Como alguém que pode te trazer tantas
coisas... A beleza da solidão está principalmente na chance de enxergarmos beleza
em nós mesmos.
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