terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Cheiro de Homem

    Gosto de cheiro de homem. Gosto do cheiro da virilha antes de por a boca. Gosto do odor dos pelos, da vara, das bolas. Gosto do perfume das axilas, numa mistura de cheiro de corpo e desodorante barato. Aquele mesmo, comprado no mercado e passado com desdém. Ficaria horas, apenas sentindo. Gosto do corpo, dos sabores dos malditos homens, sempre eles. Homens. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Que tipo sou eu?

    A carência anda me consumindo, sabe? Ela é normal pra mim, me fazendo companhia nos sábados à noite em casa, nos finais de dia, quando o sol já morno acaricia minha pele. Eu estou cansado de algumas coisas, de algumas pessoas, de algumas mesmices. Eu devo é superar um monte de coisas: umas pessoas que tão cagando pra mim e eu tô cagando pra elas também. Superar aqueles que não estão satisfeitos comigo, sendo que o único que deve ficar satisfeito comigo, sou eu mesmo! Contudo, não é fácil não pensar que tipo de pessoa sou eu, que tipo? Por que já defini que não sou do tipo apaixonante, embora tenha vontade de ser. Não sou do tipo amado por todos e conhecido por todos, pois não sei forçar a barra. Acho que sou chatão e desagradável tantas vezes. Eu não tenho paciência. Eu não tenho a bendita da paciência pra um monte de coisas, e particularmente, ultimamente tenho ainda menos. De todo modo, ao excluir pessoas que me fazem mal, eu preciso de um preenchimento na minha vida, de uma abundância. Às vezes acho que pra seguir adiante eu devo fazer as pazes com o passado. Mas eu creio que meu passado é tão ridículo e ao mesmo tempo não assustador, que tenho medo se quer de imagina-lo. Desculpe Victor, Desculpe Guilherme, Desculpe Gabriel, Desculpe Matheus. Desculpem-me todos que eu não pude ser mais. Desculpem por meu corpo, pela minha voz, pela minha chatice, pelo meu vazio. Desculpem por não termos passado de algumas fases... Desculpem por temos passado de umas importantes, e nem termos nos dado conta. E eu não presto contas a vocês não, já que sei que a culpa é toda minha. Eu não sou o bastante e nunca vou ser, uma vez que sou completável, mas não completo coisa nenhuma. Desculpem-me por não termos sido nada. Só agora vejo o quão sem futuro eu sou, o quão sem Gabrieis, Guilhermes, Victors e Matheus eu serei. Sem Lucas, Pedros, Leonardos, Vinicíus ou Josés. Só Marcos. Só eu, cru e assim meio sem o que dizer. Minha vida não é um filme dos anos 90, mas poderia ser se música e romance não existissem. As pazes com meu passado nunca serão feitas. Minha voz está rouca demais e trêmula demais pra isso. Eu gostaria de um futuro, que pressinto quando a brisa bate em meu rosto e sinto o sangue pulsar em mim. Quando eu sei que estou vivo e faço parte do mundo. Talvez haja esperança afinal, com as pazes no futuro, e sei lá, quando eu esquecer quem sou.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Fins

Me sinto uma péssima pessoa às vezes. Eu olho para minhas redes sociais e reconheço alguns rostos... Rostos esse que compartilhei histórias, risadas, umas infelicidades e momentos legais. Estas feições agora me cobram tempo, atenção, atitude. E eu não correspondo. Não tenho a mínima vontade de corresponder. Na minha jornada, ou se isso soar dramático demais, no caminho que segui e amadureci, me libertei de algumas amarras, da moralidade, dos julgamentos, de alguns preconceitos e superficialidades. E essas pessoas estão dentro disso. Elas me lembram dum ser que fui, mas não me reconheço mais. Então é isso sim, eu não quero mais ser amigo de vocês. Não temos nada em comum, e reconheço que temos uma história... Mas eu desisto dela. Não quero mais escrevê-la. Não negar, mas seguir em frente. Estou sendo um canalha, um ser desprezível, eu sei. É errado simplesmente me livrar das pessoas assim. As dispensa-las. Mas eu mudei, vocês não ou se mudaram, continuamos sem uma identificação significativa. Podemos seguir em frente? Podemos apenas curtir as fotos novas um do outro na rede social, sem forçar nada? Podemos parar de fingir que ainda temos algo em comum? Será mais fácil para todos. Aceitar que estamos em estágios diferentes agora. Amizades são relacionamentos, e não estão livres de desgastes, distanciamentos e fins. Fins. Peço perdão por usar essa palavra tão pesada, sem nem mesmo um atenuante, um eufemismo. Mas é isso, é fim. E zelo pelo que vivemos, mas... É hora de seguir em frente.