Me sinto uma péssima pessoa às vezes. Eu olho para minhas
redes sociais e reconheço alguns rostos... Rostos esse que compartilhei
histórias, risadas, umas infelicidades e momentos legais. Estas feições agora
me cobram tempo, atenção, atitude. E eu não correspondo. Não tenho a mínima vontade
de corresponder. Na minha jornada, ou se isso soar dramático demais, no caminho
que segui e amadureci, me libertei de algumas amarras, da moralidade, dos
julgamentos, de alguns preconceitos e superficialidades. E essas pessoas estão
dentro disso. Elas me lembram dum ser que fui, mas não me reconheço mais. Então
é isso sim, eu não quero mais ser amigo de vocês. Não temos nada em comum, e
reconheço que temos uma história... Mas eu desisto dela. Não quero mais escrevê-la.
Não negar, mas seguir em frente. Estou sendo um canalha, um ser desprezível, eu
sei. É errado simplesmente me livrar das pessoas assim. As dispensa-las. Mas eu
mudei, vocês não ou se mudaram, continuamos sem uma identificação
significativa. Podemos seguir em frente? Podemos apenas curtir as fotos novas
um do outro na rede social, sem forçar nada? Podemos parar de fingir que ainda
temos algo em comum? Será mais fácil para todos. Aceitar que estamos em
estágios diferentes agora. Amizades são relacionamentos, e não estão livres de
desgastes, distanciamentos e fins. Fins. Peço perdão por usar essa palavra tão
pesada, sem nem mesmo um atenuante, um eufemismo. Mas é isso, é fim. E zelo
pelo que vivemos, mas... É hora de seguir em frente.
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