quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Que tipo sou eu?

    A carência anda me consumindo, sabe? Ela é normal pra mim, me fazendo companhia nos sábados à noite em casa, nos finais de dia, quando o sol já morno acaricia minha pele. Eu estou cansado de algumas coisas, de algumas pessoas, de algumas mesmices. Eu devo é superar um monte de coisas: umas pessoas que tão cagando pra mim e eu tô cagando pra elas também. Superar aqueles que não estão satisfeitos comigo, sendo que o único que deve ficar satisfeito comigo, sou eu mesmo! Contudo, não é fácil não pensar que tipo de pessoa sou eu, que tipo? Por que já defini que não sou do tipo apaixonante, embora tenha vontade de ser. Não sou do tipo amado por todos e conhecido por todos, pois não sei forçar a barra. Acho que sou chatão e desagradável tantas vezes. Eu não tenho paciência. Eu não tenho a bendita da paciência pra um monte de coisas, e particularmente, ultimamente tenho ainda menos. De todo modo, ao excluir pessoas que me fazem mal, eu preciso de um preenchimento na minha vida, de uma abundância. Às vezes acho que pra seguir adiante eu devo fazer as pazes com o passado. Mas eu creio que meu passado é tão ridículo e ao mesmo tempo não assustador, que tenho medo se quer de imagina-lo. Desculpe Victor, Desculpe Guilherme, Desculpe Gabriel, Desculpe Matheus. Desculpem-me todos que eu não pude ser mais. Desculpem por meu corpo, pela minha voz, pela minha chatice, pelo meu vazio. Desculpem por não termos passado de algumas fases... Desculpem por temos passado de umas importantes, e nem termos nos dado conta. E eu não presto contas a vocês não, já que sei que a culpa é toda minha. Eu não sou o bastante e nunca vou ser, uma vez que sou completável, mas não completo coisa nenhuma. Desculpem-me por não termos sido nada. Só agora vejo o quão sem futuro eu sou, o quão sem Gabrieis, Guilhermes, Victors e Matheus eu serei. Sem Lucas, Pedros, Leonardos, Vinicíus ou Josés. Só Marcos. Só eu, cru e assim meio sem o que dizer. Minha vida não é um filme dos anos 90, mas poderia ser se música e romance não existissem. As pazes com meu passado nunca serão feitas. Minha voz está rouca demais e trêmula demais pra isso. Eu gostaria de um futuro, que pressinto quando a brisa bate em meu rosto e sinto o sangue pulsar em mim. Quando eu sei que estou vivo e faço parte do mundo. Talvez haja esperança afinal, com as pazes no futuro, e sei lá, quando eu esquecer quem sou.


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