O vazio chega de
mansinho. Não avisa, não manda e-mails, não se importa se sua presença incomoda
ou se é inoportuna. Ele vem assim, consumindo tudo que vê pela frente. Me resta
apenas aceitar. O processo de esvaziamento é natural após se preencher de vida
por algum tempo. O vazio não é dor ou angústia, o vazio é vazio. É o nada. É o
você com você mesmo. O vazio é o nosso contato com a nossa parte mais íntima,
mais secreta. O vazio é o não sentir nada, depois de sentir muito.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
O que não quero pra minha vida
Aos
16 anos a gente acha que sofre tudo o que um ser humano pode suportar, que logo
menos chegaremos num dia que tudo será melhor e seremos felizes com nossa
autêntica vida universitária e que todos
os problemas ficarão pra trás. Aos 19, no qual me encontro, a vida
universitária já existe, e existem algumas poucas diferenças em relação aos 16
anos: agora você tem responsabilidades reais como manter-se vivo com o que
cozinha, ir bem academicamente, agora você também transa, o que era apenas uma
possibilidade há 3 anos na cidadezinha do interior. Agora também você é um
pouco mais seguro com relação ao seu corpo, e possui amizades mais intensas e
uma cabeça mais aberta pra tudo. Mas para por aí. De resto, continua tão
perdido quanto antes (porque fazer uma graduação em momento nenhum quer dizer
que você sabe que rumo está tomando necessariamente), e com preocupações em relação
ao futuro. E pior: agora tem amigos mais velhos, e eles mesmos aos 24 anos
continuam perdidos e você só consegue imaginar como a vida é triste e como
ficará ainda perdido por um bom tempo, se é que vai se encontrar.
Por
mais que digam que a vida é curta, eu paro e penso: olha minha cabeça aos 16 e
olha minha cabeça aos 19. São só 3 anos e você pensa totalmente diferente.
Imagina os 30! Os 40!
Ok,
admito que não faço ideia do que quero fazer ao certo e como quero chegar
nessas idades, mas estive em campo coletando informações e cheguei a algumas
conclusões de como não quero chegar. Não quero ser um esquerdinha e Cult frustrado,
que nunca fez nada da vida realmente útil, que nunca sentiu que seu trabalho
fosse útil pra alguém de alguma forma importante. Não quero ser Gandhi, Steve
Jobs ou a Madonna, mas quero ter a certeza aos 40 ou em qualquer idade futura,
que fiz algo importante nessa Terra. Tenho medo de em algum momento passar a me
contentar com um trabalho medíocre, com pretensões e salário medíocres, que
possam me dar algum divertimento em finais de semana medíocres com um carro
medíocre. Não quero ser nenhuma espécie de milionário, mas quero chegar a algum
lugar, algum bom lugar. Que o destino me livre também de ser um desses “tios”
desconectados dos mais novos, não to dizendo que quero pagar de novinho, mas não
quero ser um desses quarentões motivos de piada de jovens (os quarentões que
atualmente eu acho ridículo).
Tenho
medo também que nesse caminho eu nunca encontre uma paz interior que dizem por
aí que existe. Com Jesus eu já sei que nunca vou encontrar, pode ser que exista
alguma religião aí pra mim, mas nem precisa ser assim, acho que a paz interior
tem muito mais a ver com momentos em que você se sente completo, não importa com o quê. Ai, e, por favor, que
eu não me torne esse tipinho que come pão sem glúten, ou que não toma suco de
caixinha.
Espero
ter excitação pela vida em todas as idades, que eu ame o que eu faça, já que
hoje aos 19 eu não sei bem o que é.
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