domingo, 22 de setembro de 2013

Pós Festa

   Estou nu no meu banheiro agora, sozinho em casa. A playlist “shower” não está tocando, esse é um daqueles banhos de reflexão. Eu não morri na quinta e ontem aconteceu a festa. Fui. Me diverti, bebi, beijei, vomitei. Eu adorei é claro, as músicas, os corpos desconexos com a mente na pista de dança, a transpiração tornando-se sexy. Minha reflexão de agora não é nada sobre como as pessoas são fúteis, ou coisas assim, porque olha só, eu também sou, fui numa festa com o intuito de transar e ficar bêbado. Isso simplesmente não soa poético.
   Tá, esse momento pensando agora é sobre você. Antes de entrar naquele carro que me levaria para uma noite totalmente louca eu me machuquei. Mas simplesmente ignorei, e esqueci pelas oito horas da festa, e mais as seis que dormi. Agora não dá mais, eu estou mal. É pelo pós festa, é pela minha voz morta e a cabeça explodindo. Porém também é por você. Maldito. Me sinto um lixo agora, um caco de pessoa, que só consegue ficar com alguém numa festa, sem emoção nenhuma, só o pau falando mais alto dentro da melhor cueca possível.  Eu não sou poético, eu não sou um artista, eu não sou arte. Estou triste, estou – mesmo que isso soe totalmente ridículo – ferido. Sim, e não quero pensar, mas estou vivo, e é o que fazemos, infelizmente. Eu tenho que parar, eu prometi que ia parar de escrever sobre você. Posso falar sobre minhas crises existências, mas falar de você é pedir pra escrever um texto ruim, com uma carga dramática pesada demais. Veja onde estamos, perdidos nesse tempo e espaço, e eu não faço a menor ideia do que virá. Estou com medo, estou com raiva, e não quero nunca mais falar com você, te ver, ouvir sua voz.
    Eu quero que você desapareça da minha vida e seja feliz em outro lugar. Eu quero parar com a minha própria superficialidade, crescer como pessoa e ser como você. Fazer arte. E mesmo que me tenhas fodido milhões de vezes, agora tudo é uma tela sua. Você me transformou em sua arte, você acabou com minha vida.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A festa de sábado aconteceria?

   Já passa da meia noite e eu tive um inquietamente pensamento, que me fez levantar e acender meu abajur. Meus olhos agora ardem sob a luz do computador e só consigo pensar, se eu morresse agora, na madrugada de uma quinta feira, a festa de sábado aconteceria? As pessoas com quem gosto de conversar, e me sinto bem, sairiam para badalar no fim de semana? Me corroeram essas perguntas, e só consigo pensar num franco “sim”. Elas iriam, mas claro que não todas, as que eu sempre achei superficiais, mas apesar de tudo legais, iriam ao meu velório, mas não perderiam a oportunidade de beber e se pegarem no sábado. Meus amigos mais próximos, e amigos mesmo não iriam, ainda não acreditariam na minha repentina morte dias atrás. Além disso, pensei em como repercutiria tal situação, se sairia nas rádios locais, como a notícia de uma morte súbita de um adolescente aos 17 anos, ou uma simples nota de falecimento da minha funerária. Pensei em como chegaria aos meus amigos mais distantes, imagino eles vendo os recados nas redes sociais, de como vou fazer falta, ou de como não era próximo da pessoa, mas é terrível o que aconteceu comigo. Os amigos de longe ficariam perplexos com isso, mas algum dos amigos que me viu frio no caixão contaria para eles que eu havia morrido. Os imagino na frente do computador, estagnados, não acreditando em tais palavras, arrastando a cadeira do computador em indignação e por fim as lágrimas correndo. Na conjectura da minha morte, pensei ainda se na sexta haveria aula, se minha terrível diretora declararia luto em minha homenagem, se a escola inteira saberia exatamente quem eu sou, ou se simplesmente ficariam tentando lembrar “mas quem era ele?”. Eu sei, isso é em demasia ruim, pensar no seu sucesso após a morte, quantos downloads a minha história trágica receberia no Itunes. Como surgiu, aparentemente esqueci, eu apenas sei que gostaria de saber se eu morresse hoje, a festa de sábado aconteceria?