Já passa da meia noite e eu tive um
inquietamente pensamento, que me fez levantar e acender meu abajur. Meus olhos
agora ardem sob a luz do computador e só consigo pensar, se eu morresse agora,
na madrugada de uma quinta feira, a festa de sábado aconteceria? As pessoas com
quem gosto de conversar, e me sinto bem, sairiam para badalar no fim de semana?
Me corroeram essas perguntas, e só consigo pensar num franco “sim”. Elas iriam,
mas claro que não todas, as que eu sempre achei superficiais, mas apesar de tudo
legais, iriam ao meu velório, mas não perderiam a oportunidade de beber e se
pegarem no sábado. Meus amigos mais próximos, e amigos mesmo não iriam, ainda
não acreditariam na minha repentina morte dias atrás. Além disso, pensei em
como repercutiria tal situação, se sairia nas rádios locais, como a notícia de
uma morte súbita de um adolescente aos 17 anos, ou uma simples nota de
falecimento da minha funerária. Pensei em como chegaria aos meus amigos mais
distantes, imagino eles vendo os recados nas redes sociais, de como vou fazer
falta, ou de como não era próximo da pessoa, mas é terrível o que aconteceu
comigo. Os amigos de longe ficariam perplexos com isso, mas algum dos amigos
que me viu frio no caixão contaria para eles que eu havia morrido. Os imagino
na frente do computador, estagnados, não acreditando em tais palavras,
arrastando a cadeira do computador em indignação e por fim as lágrimas
correndo. Na conjectura da minha morte, pensei ainda se na sexta haveria aula,
se minha terrível diretora declararia luto em minha homenagem, se a escola
inteira saberia exatamente quem eu sou, ou se simplesmente ficariam tentando
lembrar “mas quem era ele?”. Eu sei, isso é em demasia ruim, pensar no seu
sucesso após a morte, quantos downloads a minha história trágica receberia no
Itunes. Como surgiu, aparentemente esqueci, eu apenas sei que gostaria de saber
se eu morresse hoje, a festa de sábado aconteceria?
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