Estou nu no meu
banheiro agora, sozinho em casa. A playlist “shower” não está tocando, esse é um
daqueles banhos de reflexão. Eu não morri na quinta e ontem aconteceu a festa.
Fui. Me diverti, bebi, beijei, vomitei. Eu adorei é claro, as músicas, os
corpos desconexos com a mente na pista de dança, a transpiração tornando-se
sexy. Minha reflexão de agora não é nada sobre como as pessoas são fúteis, ou
coisas assim, porque olha só, eu também sou, fui numa festa com o intuito de
transar e ficar bêbado. Isso simplesmente não soa poético.
Tá, esse momento
pensando agora é sobre você. Antes de entrar naquele carro que me levaria para
uma noite totalmente louca eu me machuquei. Mas simplesmente ignorei, e esqueci
pelas oito horas da festa, e mais as seis que dormi. Agora não dá mais, eu
estou mal. É pelo pós festa, é pela minha voz morta e a cabeça explodindo.
Porém também é por você. Maldito. Me sinto um lixo agora, um caco de pessoa,
que só consegue ficar com alguém numa festa, sem emoção nenhuma, só o pau
falando mais alto dentro da melhor cueca possível. Eu não sou poético, eu não sou um artista, eu
não sou arte. Estou triste, estou – mesmo que isso soe totalmente ridículo –
ferido. Sim, e não quero pensar, mas estou vivo, e é o que fazemos, infelizmente.
Eu tenho que parar, eu prometi que ia parar de escrever sobre você. Posso falar
sobre minhas crises existências, mas falar de você é pedir pra escrever um
texto ruim, com uma carga dramática pesada demais. Veja onde estamos, perdidos nesse
tempo e espaço, e eu não faço a menor ideia do que virá. Estou com medo, estou
com raiva, e não quero nunca mais falar com você, te ver, ouvir sua voz.
Eu
quero que você desapareça da minha vida e seja feliz em outro lugar. Eu quero
parar com a minha própria superficialidade, crescer como pessoa e ser como
você. Fazer arte. E mesmo que me tenhas fodido milhões de vezes, agora tudo é
uma tela sua. Você me transformou em sua arte, você acabou com minha vida.
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