segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A tentar

   Eu tenho medo do vento. Eu tenho medo quando o vento sopra forte na minha janela. Eu tenho medo de muitas coisas, e estou com medo agora. Simplesmente não sei de onde vem, e quando vai embora. É uma daquelas sensações estranhas, que eu conectado sempre com meu lado mais emotivo e vulnerável, tenho o desprazer de sentir. Minha montanha russa não está nos altos e baixos agora, está em combustão. Desenfreadamente ardendo por todo percurso.
   É um embaralho só, meu âmago de pétalas de flores. Estou com medo do que pode vir, estou com medo de nunca dar certo. Estou com medo de que minha auto confirmação de que sou uma cópia, inútil, sem talento e sem qualidades se confirme. Minha própria máscara de auto confiança se desfaça no soprar do vento que aflige minha janela agora.
   Por favor, que isso seja passageiro, que um dia eu possa quem sabe viver um amor, sem que eu estrague tudo com crises desnecessárias, ou que pelo menos apareça algo para me abalar. Eu queria desesperadamente ser minha janela agora, e ser açoitado pelo vento. Sentir dor é melhor do que não sentir nada. E eu não sinto nada há muito tempo. Se seu buraco no coração anda maior a cada dia que passa, a cada dia que amanhece, ore por uma tempestade em sua vida. Parece burrice pedir algo assim, mas só com muita mudança eu posso sair desse limbo paralitico que estou agora, só assim posso ter esperanças. É pedir muito? Eu estou aqui, vivo, esperando, morrendo.
   Vamos sair hoje a noite, vamos mais uma vez tentar nos emocionar, nos tocar com algo divertido ou apaixonante. Os excesso de drama são normais, e os amo também, pois me permitem saber que ainda tenho alma, que ainda sou quente por dentro, que ainda basta tentar. Tentar. Esse texto parece apenas o “mal amor” de alguém mal amado, talvez seja isso. Talvez eu seja isso. Mas estou aqui, de qualquer maneira, a tentar. Eu conheço um lugar, onde o sol demora mais pra se por, e quero ser feliz lá. Um dia. 

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