quinta-feira, 2 de abril de 2015

O maldito "Q" a mais

        Você acha que tem tudo. Que tem um chão, que tem segurança, que tem estabilidade. Que tem controle sobre sua vida acadêmica, sobre a vida dos seus amigos, sobre seu dinheiro. Você acha que na verdade só falta um rumo pra sua vida, porque de resto tá tudo bem. Você sai com um cara, e é incrível. Você sai com esse cara e quer mais. Tem medo de onde pode levar, mas é tão bom, é tão juvenil, é tanta poesia e coisa boa na sua vida. Mas é claro que autocontrole não é uma característica muito presente em você. E de repente, todo seu chão se vai. Toda sua fraca estabilidade, sua pobre segurança são engolidos por um mar de insegurança, de medo, de incerteza. Sua base nunca fora muito bem cultivada. Você estava passível de ser afetado por todas as feridas nunca cicatrizadas. E claro, que se seu chão se vai assim, você põe a mão entre as pernas (é assim o ditado?) e não vai pra frente. O seu buraco negro cresce. Não era paixão. Mas era um encantamento. Sabe aquele “Q” que algumas pessoas carregam? Sabe aquela coisinha a mais que sua avó disse ter encontrado no seu avô, e por isso se casaram? Às vezes eles nem tiveram tempo de se apaixonar, e casaram, por todo o contexto, mas eles tinham aquele maldito “Q”. E você jura que encontrou aquele “Q”, mas as pessoas não são formas, não são perfeitinhas e sei lá, não passam pelos mesmos filtros, não admiram as mesmas coisas. E então, você não foi o “Q” dessa pessoa. E é por isso que o vazio te consome agora. É por isso que achas que o vazio sempre consumirá. Nem é falta de candidatos, ou de procurar. Mas parece que temos – e digo no plural, porque encontro muito mais gente nessa por aí – a mania de querer quem não quer a gente. A mania de achar que a pessoa só não gosta da gente ainda, porque não nos conhecemos direito. Não! Sabe quando você sai com alguém, e é legal, mas é só isso? E você quer que ela transe com você e saia da sua cama? Você é esse que deve se levantar e ir embora. E enquanto isso você tá lá achando que foi a melhor transa da sua vida. Mas o “Q” não está em duplicidade no caso. Você precisa já se despedir desses olhos castanhos. Dessa boca torta. Desse olho vermelho de tanto coçar. Dessa cabeça inquieta. Porque só você sentiu, e quer saber? Isso já tá bom demais. 

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