Às
vezes acho que a culpa de grande parte dos meus problemas é a minha preguiça,
que me impede de procurar um terapeuta. Eu preciso tratar a minha
instabilidade, a minha dramatização de tudo. Porque sim, admito que sou o
exagero em pessoa. Acredito que minha vida é um drama, mas não, ela não é. Eu
não tenho tanta história pra contar. Eu não tenho tanta gente entrando e saindo
assim da minha vida. Tem só minhas crises de vez em quando, ocasionadas por
coisas insignificantes. Sempre fui assim. Foi desse jeito demasiado infeliz e em
excesso que pensei no suicídio lá na adolescência, que de fato jamais teria
coragem de fazer. Nem mesmo me cortar e ser um emo decente eu pude. Sempre tive
medo do sangue e nunca quis realmente me ferir. Fui uma overdose de pessoa
quando liguei, na quinta série, pra mãe do meu ex melhor amigo, tentando ser
anônimo, e dizendo que ele havia me dado um soco no colégio. Extrapolei ao chorar como se não houvesse amanhã,
quando aquele garoto que eu poderia, e só poderia, ter me apaixonado, saiu com
outro para um escurinho. Eu vivo intensamente as poucas coisas, porque parece
que delas minha vida é feita. Então sim, choro por coisas que nem começaram.
Sorrio por essas coisas também. Escrevo sobre meus sentimentos medíocres,
egoístas e imaturos, já que nada melhor tenho pra escrever. Procuro e procuro por
histórias avassaladoras, que me deixem no chão da cozinha, mas só consigo bons
papos nela. Faço promessas a entidades que não tenho fé, em busca de algo que
nem sei. E posso ser sim infantil, birrento, realista ou emotivo demais,
dependendo da situação, contudo, ninguém pode negar que eu tenho esperança.
Dramatizando minha vida, eu preparo o terreno pra uma vida que espero ter. Chorar
por quem merece minhas lágrimas. Sorrir por quem realmente merece meus
sorrisos. Correr sem direção a alguém que está de braços abertos pra mim. E por
uma vez só, uma vez só é tudo o que eu peço, tornar todo esse drama, em coisa
concreta, boa, simples e feliz..
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