sexta-feira, 25 de julho de 2014

Solidões Contemporâneas

   De repente você está no seu quarto, se sentindo incompleto. Eu não sei bem definir o que é isso, é meio inexplicável, meio incabível. Afinal, o que nos falta? Você pode abrir qualquer rede social, mas o vazio vai persistir. Talvez melhore se colocar aquela música gostosa que está na sua cabeça nessa semana. Talvez melhore se conversar com um gringo, treinar seu inglês e quem sabe ligar a cam e descobrir alguém novo – que muitas vezes é um senhor de 65 anos tarado. Contudo, porque não tentar? A gente tá nesse barco mesmo, com insônia, sozinho, com preguiça de mais pra pegar um artigo relevante pra ler, tudo porque depois das 10 horas parece meio difícil exercitar a leitura.
   Então, nos deparamos com nós mesmos. A TV ligada pra amenizar a falta de diálogo. A música tocando para nos preenchermos. E a incerteza se isso vai passar. Bobagem. Uma hora o sono vem e tudo isso vira história amanhã. E depois de amanhã quando acontecer de novo vamos nos esquecer que sobrevivemos da última vez.
   Mas sabe o que é? É que sabemos que vamos sobreviver a essa angústia, mas é doloroso demais imaginar que ela passará somente na manhã seguinte. O que fazer agora? Tentar com a ajuda do Jô Soares nossa recuperação sentimental e psicológica.
   Finalmente cheguei nos termos psicológicos que afinal definem esse texto. Pois ora, é obvio que se você chegou até aqui percebeu que nada tá muito normal e nada faz muito sentido. Mas estou assim, meio perdido, meio com medo, meio triste, meio vazio. Meio tudo e meio nada. Fim.

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