Tenho pensamentos recorrentes em minha cabeça. Eu os
disperso, eu tento evitá-los, mas eles voltam e se repetem, e repetem, e repetem.
E eu? Eu fico sem saber se estou chegando à beira da loucura ou se somente é
minha cabeça falhando, dizendo “é hora de parar e se encontrar”. Digo me encontrar,
pois acredito estar perdido. Me olho no espelho e não sei mais quem eu sou, na
verdade não sei se algum dia eu já soube. Me orgulho, ou orgulhava, de ter
trilhado um belo caminho de desconstrução ao longo dos últimos anos, mas isso
não é só imagem? Não é só a sua relação com o mundo? E a minha relação comigo mesmo?
E dentro, o que mudou aqui dentro? O que eu tenho feito, ou o que eu fiz pra me
tornar esse ser? Quais são meus objetivos e aspirações? Quem eu quero me tornar?
E por que diabos parece que estou andando em círculos infinitamente?
Estou cansado de andar, andar e não chegar a lugar
nenhum. Não há ilha a vista. Só tenho a mim, desgostoso e exausto até de
escrever. Há tempos não escrevo uma crônica sequer, uma historiazinha de
desconhecidos no trânsito, de um casal que se ama em uma praça ou de amigos que
brigam por besteira. Nada, estou travado. É esse ser que me tornei, estou me
tornando e eu não gosto disso. Não consigo sentir a energia do mundo, não
consigo me conectar.
A gente às vezes dá uma guinada tão estranha e
assombrosa em nossas vidas... acaba restando nada, ou algo que não nos agrada
em frente ao espelho.
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