Em todos os momentos da
história as pessoas precisaram seguir em frente e deixar o passado pra trás.
Imagino que foi uma decisão difícil de nossos antepassados quando decidiram
parar de andar por aí e se fixar em um lugar para fazer essa coisa nova chamada
cultivar. Imagino também que não deve ter sido fácil para Maria Antonieta
deixar sua família em um frio palácio de Viena para se juntar a uma elite grosseira,
que a via com maus olhos, como eram os nobres franceses. Pergunto-me, se ela,
Maria Antonieta, em algum momento jogou em algum córrego aos arredores do
palácio de Versalhes alguma caixinha, com cartinhas de amor e retratos a óleo
de seu amado com dor no coração de lembrar-se daquela realidade tão distante.
Ou se, por odiar tanto a França e amar tanto seu país, manteve para sempre uma
série de lembranças materiais de lá.
Pra mim, isso não
importa, eu só vejo como deve ter sido difícil essa transição. Sempre é. Agora,
o que quero dizer com tudo isso é que nós também temos decisões difíceis para
fazer. Temos nossas próprias caixinhas de lembranças no fundo do guarda roupa,
ou com as infinitas possibilidades da modernidade, uma pastinha no Google
Drive.
Dias desses foi minha
vez, revirando pastas online, de encontrar com o passado. Em uma pasta
despretensiosa chamada “minhas fotos”, encontrei outra chamada “prints”. E só Deus pra me julgar pelo
conteúdo dessa pasta. Tinha de tudo lá. Mas principalmente, prints românticos com alguém que eu já enterrei
em minha vida, ou pelo menos clamo por ter enterrado. Não tenho mais certeza,
pois foi gostoso rever conversas trocadas há quatro anos, que eu ainda me
lembro profundamente. Foi doloroso ver que todas as certezas que eu tive um dia
não sobreviveram a pouquíssimos anos. Aquela pessoa ali, não sou mais eu. Por
mais que eu queira imensamente viver alguns dos bons sentimentos que já vivi,
isso não é possível, não com os braços abertos ao passado. Meu lado racional grita isso, porque sabe que
é a verdade.
Mas nem só de racionalidade
vive o ser humano. Somos feitos de sentimentos, dores, amores e dissabores. E
quando você lembra-se de um momento de seu passado, um momento legitimamente bom
e repleto, e vê seu estado de penúria atual, é difícil acreditar que dias
melhores virão.
Pro final dessa
crônica, só posso terminar dizendo que está tudo ruim sim, para todos nós. Como
estar bem num país machucado como esse? Já começa por aí. Mas dias melhores,
ah, dias melhores me forço acreditar que virão. Eu só posso acreditar nisso
agora. Quanto à pasta problemática, apaguei. De sabores de felicidade do
passado quero me deleitar em memórias, apenas, e de vez em quando. O pontapé
pra viver coisas novas e gratificantes de novo tem que partir da gente mesmo. E
estou decidido a fazer isso.
Nenhum comentário:
Postar um comentário