Você disse que me amava
uma vez, quando ainda éramos amigos. Me senti forçado a dizer, e quando disse,
eu menti. Eu não te amava naquele momento, pelo menos não da forma como eu acho
que amor de amigo deve ser. Eu tenho uma certeza muito grande de quando amo as
pessoas, pra mim não é simples assim sair por aí dizendo palavras intensas. Eu
disse e era mentira. Você disse, e eu não sei se acredito.
Hoje tenho certeza que
não me ama mais. Eu ainda não sei dizer se um dia amei. Não consigo me lembrar
desse tempo que havia só amizade entre nós, parece que sempre nos beijamos,
passamos a mão, abusamos, lambemos e trepamos. Você diz que nunca deixamos de
ser amigos, e eu custo a acreditar que éramos só amigos que transavam. Você foi
mais do que isso pra mim, mas foi menos do que uma paixão. Você foi uma
experiência, um viciozinho sentimental e sexual adorável. Você diz que sentiu
que eu queria mais, e por não poder oferecer me largou.
Pensei várias vezes
se queria mais de você, mas nunca cheguei a uma conclusão. Fico me perguntando
o que eu fiz que te levou a acreditar que eu gostaria de ter mais e mais. Se
foi porque eu encostava no seu peito nu e ficava por ali por um bom tempo. Se
peguei na sua mão no meio da rua. Ou se simplesmente você detectou no meu
olhar. De qualquer forma, você viu algo que nem mesmo eu tinha certeza, e a
julgar pela facilidade que me despedi e pelas lágrimas que não derramei, e o
coração que não ficou apertado, você estava errado.
Eu sabia quando havia
terminado antes das palavras finais serem ditas, mas só soube porque você já
tinha chego a mesma conclusão. Eu? Eu ainda tentava decifrar o que sentia, mas
meu tempo foi poupado por ti e terminamos. Concordei pela naturalidade que
aceitei quando vi que o fim se aproximava. Você não queria mais, eu não dava à
mínima. Como sempre, pensei se você sairia da minha vida de supetão. Estava
preparado pra te deixar, mas não abrir mão por completo.
Você prometeu amizade.
Me deu respostas curtas e espaças.
Não estou sofrendo com
isso, pois a vida é feitas de escolhas, e já perdi antes pessoas que a ausência
me parecia muito mais surreal. Se quiser voltar, a porta está aberta, como você
mesmo disse, nossa companhia é mutuamente agradável e isso deve ser valorizado,
afinal o mundo está cheio de babacas superficiais e isso são coisas que sem
dúvida não somos. Se não quiser, tudo bem também. Estou com saudades, mas
descobri muito antes de você que isso não é nada demais.
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