Acordei
hoje sozinho, num dia chuvoso e com várias coisas pra fazer. Podia ser mais um
domingo daqueles que me torturo por estar só, que minha mente borbulha pedindo
para que eu veja gente, que eu me ocupe não com livros ou música, mas com
companhia. Mas decidi que hoje seria diferente. Eu não preciso sempre estar com
alguém para estar em paz. Decidi me dar minha própria paz. Sei bem que sou
inconstante, e tudo que escrever agora pode ser diferente amanhã, mas hoje decidi
dar um tempo pra mim. A chuva está lá fora, caindo aos pouquinhos limpando as
ruas sujas da cidade e estou aqui dentro, limpando tudo de ruim que estava
preso. Estou em um tempo tão bom, sabendo o rumo da minha vida e isso é tão
bom. Tenho planos, tenho sonhos e eles não parecem inúteis, vagos. Quero
aproveitar esse tempo bom, antes que ele escorra por entre meus dedos e eu me
sinta perdido. É tão maravilhoso saber o que está fazendo, tão incrível acender
um cigarro e apenas sentir nostalgia, sentir paixão pelo mundo, e não tristeza
ou solidão. Agora, a dualidade dos meus olhos, que enxergam tristeza e paixão
pelo universo está descompensada, e apenas vejo paixão. Como disse, não sei até
quando irá durar, mas resolvi aproveitar.
Coloquei
aquele novo álbum daquela cantora de mpb, que nem sou ligado, mas por alguma
razão começou a me tocar. Vou acender meu cigarro na janela e passar o dia
assim. Até disposição para com a faxina eu tô! Tem ainda aquele livro do Caio
Fernando Abreu, que vou devorar com certeza, e que me traz tanta emoção! Vou
estudar para as minhas provas, vou ler meus livros atrasados e ouvir quantos
álbuns de mpb forem possíveis. Tudo isso comigo mesmo. O dia não será
sufocante, pois decidi e fiz um contrato comigo mesmo. A vida pode ser tão
calma quando você decide fazer as pazes com a solidão, com o seu deus. Eu
resolvi fazer, e espero um dia onde a minha felicidade só depende de mim.
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