sábado, 30 de maio de 2015

A palavra Adeus

O texto abaixo escrevi há meses pra ti. Pensava que tínhamos chegado ao fim, mas estava enganado. Superamos e seguimos em frente essa crise, mas coisas inevitáveis sempre voltam. Eu já sabia que sim, um dia teria que dizer adeus. E a cada briga, a cada desentendimento, ficávamos mais distantes. Não nos reconhecíamos, e ao pensar nisso me doía. Não queria e ainda não quero que nos tornemos estranhos. Nem tudo é fácil, porém.
Escrevi esse texto quando não me imaginava sem você. Hoje, isso já é uma realidade. Ainda é dor, ainda é vazio, contudo sei que posso viver sem qualquer pessoa. É, acima de tudo, nostalgia. Escrevo agora ouvindo nossa música, com saudades, e desejando pra você todas as coisas que sempre quis. Me desculpe por tudo. Me desculpe por não tentar tanto. Agora, somos pessoas diferentes, e você será inesquecível. Mas, finalmente posso dizer, mesmo sem outro alguém, mesmo com insegurança, que virei a página.

Adeus.

Pra você, de meses atrás, mas nunca menos eterno:
“Eu sempre tive medo da palavra adeus. Sempre tive medo de como ela podia me trazer angústia e vazio. Eu tenho mais medo dela agora, quando sei que sua chegada é inevitável.
Por muito tempo achei que para sempre existia mesmo. Pobre de mim. Até a mais forte das amizades, o mais complexo dos laços, pode simplesmente ir. E eu já sabia disso. Sabia pela formação de nós dois. Nós crescemos juntos, passamos por muita coisa juntos. Eu te conheço incrivelmente bem, e você conhece uma parte de mim que escondo de todos. Você talvez seja a pessoa que mais me conhece no mundo todo. Mas agora eu tenho que te dizer adeus, e o pior é que sempre soube que esse dia chegaria. Talvez tenhamos mesmo, sido feitos um pro outro, talvez eu nunca encontre ninguém tão perfeito quanto você, mas estou orando agora para que isso não seja verdade, para que os tantos anos que ainda me restam sejam repletos de amor. Mesmo que não seja o seu.
Eu sempre soube que terminaríamos com um adeus. Só não imaginei quando seria. Eu sempre soube que você um dia seria vazio. Eu só não podia imaginar que antes mesmo do adeus você já seria.
Você leva embora contigo uma parte só sua. Uma parte que nem mesmo você saiba, talvez. Eu me pergunto agora com quem conversarei. Com quem mostrarei meu lado vulnerável. Quando o vazio me incomodava era a você que eu recorria. Quando eu não me amava era você que me amava. Quando eu não me queria, você estava lá para me ouvir. Mas agora eu tenho que te dizer adeus, pois já faz algum tempo que não nos completamos dessa forma. E se já saímos de momentos ruins, esse parece o nosso grande poço final. Eu te amo. Eu sei que é amor. A sua ausência já é dor e eu nunca senti isso antes. Mas agora é adeus. Sempre soube que seria.

Me rastejo agora num emaranhado de solidão. Num emaranhado que um dia você cuidava. Vago agora em mim mesmo. Não me reconheço, nem sei pra onde vou. Eu só sei que você agora não está do meu lado, e isso me consome. Eu só sei que agora você finalmente virou vazio. E por mais que eu soubesse que aconteceria, eu jamais imaginaria que doeria tanto.”

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