terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Amizade de saídas rápidas.

        Estou na casa dos meus pais novamente, revivendo um monte de coisas que não gostaria de reviver, mas também revivendo outra parcela que é extremamente importante pra mim. É importante ter tempo só pra mim, só pra ver minhas séries, ler os livros que há tanto prometi ler, conversar também com meus pais, e claro, ver meus amigos. Só que se você, assim como eu, mora em outra cidade da qual passou sua vida toda, vai me entender. Tem amizade, que é louca, a gente não vê a pessoa e mal conversa nas redes sociais, mas quando vê é sempre a mesma coisa, tem amigo que a gente consegue manter contato, que manda um bom dia pra tu, e você só tem tempo de responder a noite, mas de qualquer maneira, mantém aquele contato. Tem amigo de tudo quanto é jeito, que nos apresentamos de maneiras distintas, e os relacionamentos possuem regras e hábitos totalmente diferentes. Mas você que tá na mesma situação que eu sabe que tem amigo que muda. Amigo que fica preso no tempo e todas as conversas começam com “lembra da...” ou, “naquela época...”. Nunca tem coisa nova, você não quer falar dos seus amigos novos, da sua rotina nova, das suas transas novas. E esses amigos tão pouco ligam em te por a par disso também. Isso é ainda mais insano, já que muito possivelmente essas pessoas um dia carregaram o título de “melhor amigo (a)”, ou alguém foda de tão especial. E hoje? A pessoa virou amizade de saídas rápidas. Aquela mensagem no whatsapp com: “hey, to livre só sábado, quer ver um filme?”. E aquelas duas horas que ela reserva pra ti, duas horas porque em seguida tem que ver o namorado, ou tirar a carta de motorista, ou depilar a virilha, e naquelas duas míseras horas você tenta mostrar um filme que achou a cara do sujeito, e claro, vem os “lembra da...”, “naquela época...”. Passam-se duas horas, ela vai com um abraço e um beijo. Foi essa saidinha a visita das férias, o papo em dia, a tentativa frustrada de achar algo em comum. E é triste, pois nos enganamos, dizendo pra nós mesmos que ainda há amor ali, naquele silêncio que dói. Amizade não é pra sempre, eu nem sei teorizar sobre isso, mas não duvido que fui sim amigo dessas amizades de saídas rápidas. Mas é assim, um dia tudo muda, e até pode negar, mas suas prioridades também mudam. 

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