Estou
na casa dos meus pais novamente, revivendo um monte de coisas que não gostaria
de reviver, mas também revivendo outra parcela que é extremamente importante
pra mim. É importante ter tempo só pra mim, só pra ver minhas séries, ler os
livros que há tanto prometi ler, conversar também com meus pais, e claro, ver
meus amigos. Só que se você, assim como eu, mora em outra cidade da qual passou
sua vida toda, vai me entender. Tem amizade, que é louca, a gente não vê a
pessoa e mal conversa nas redes sociais, mas quando vê é sempre a mesma coisa,
tem amigo que a gente consegue manter contato, que manda um bom dia pra tu, e
você só tem tempo de responder a noite, mas de qualquer maneira, mantém aquele
contato. Tem amigo de tudo quanto é jeito, que nos apresentamos de maneiras distintas,
e os relacionamentos possuem regras e hábitos totalmente diferentes. Mas você que
tá na mesma situação que eu sabe que tem amigo que muda. Amigo que fica preso
no tempo e todas as conversas começam com “lembra da...” ou, “naquela época...”.
Nunca tem coisa nova, você não quer falar dos seus amigos novos, da sua rotina
nova, das suas transas novas. E esses amigos tão pouco ligam em te por a par
disso também. Isso é ainda mais insano, já que muito possivelmente essas
pessoas um dia carregaram o título de “melhor amigo (a)”, ou alguém foda de tão
especial. E hoje? A pessoa virou amizade de saídas rápidas. Aquela mensagem no
whatsapp com: “hey, to livre só sábado, quer ver um filme?”. E aquelas duas
horas que ela reserva pra ti, duas horas porque em seguida tem que ver o namorado,
ou tirar a carta de motorista, ou depilar a virilha, e naquelas duas míseras
horas você tenta mostrar um filme que achou a cara do sujeito, e claro, vem os “lembra
da...”, “naquela época...”. Passam-se duas horas, ela vai com um abraço e um
beijo. Foi essa saidinha a visita das férias, o papo em dia, a tentativa
frustrada de achar algo em comum. E é triste, pois nos enganamos, dizendo pra
nós mesmos que ainda há amor ali, naquele silêncio que dói. Amizade não é pra
sempre, eu nem sei teorizar sobre isso, mas não duvido que fui sim amigo dessas
amizades de saídas rápidas. Mas é assim, um dia tudo muda, e até pode negar, mas
suas prioridades também mudam.
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