Há
algumas coisas inevitáveis na nossa vida. Você pode fugir, mas não dá, porque é
realmente inevitável. Não dá pra fugir da sua pele oleosa geneticamente
herdada, não dá pra fugir da vontade de fofocar sobre a vida alheia, ou sua pré-disposição
pra aceitar gozada na cara. Bom, acho que uma das coisas inevitáveis do meu ser,
é ser justamente aquele que volta carregando o amigo bêbado no final da festa,
ou em dias mais trágicos, ser a pessoa carregada pelo amigo no final da festa.
Não sou do tipo que sai com um affair, com um casinho e que vai pra algum lugar
super bacana transar. Não sou do tipo que sai com os sorrisos de ponta a ponta
porque conquistou aquele cara que todos queriam. É a coisa inevitável na minha
vida. Sou o porto seguro dos amigos, a pessoa que com certeza não vai deixar a
escova ficar toda fodida de vômito. Tá certo, sou bacana, e quando não sou, me
faço de bêbado perfeito, nem dou tanto trabalho assim, afinal, quase sempre
apenas durmo. Mas essas teimosias que a vida insiste em mim acabam sendo parte
de quem eu sou. Talvez um dia por fim, sua pele não seja mais oleosa, você pare
de fofocar, e pare de querer receber gozada na cara. Talvez sua unha do pé que
não cresce, cresça, talvez você arrume um namorado feliz, diferente de todos os
outros depressivos que conseguiu. Eu não sei o que a vida quer, eu não sei por
que fui escolhido pra ser o ombro amigo ou o bêbado da turma. As coisas foram
meio que se formando assim, e nem Freud explicaria. Talvez eu volte com um
sorriso estampado na cara, talvez eu volte com um affair. Mas por hora, de
todas as coisas que me perseguem, é o sentimento vitimista e carente de ser que
me matam. De que nada tá bom. De que tá faltando. De que a mídia é a culpada
por estabelecer esse modelo monogâmico e romântico de ser. Quem sabe a culpa
nem seja minha, e quem sabe eu pare de escrever de madrugada sobre nada,
ouvindo “Dancing on my own”, hino dos amargurados, e vá ser feliz. Ou talvez eu
já seja, e ser triste às vezes seja afinal meu lance inevitável. Tá ai, uma
ótima questão futura.
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