terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Os 20 e os vícios.

A mesa de estudos vira um grande palco em homenagem à maconha, sedas, faquinha, fósforo. O olho é voraz no celular e no computador. O quarto é pequeno, amarelado pela lâmpada. A verdade é que ele tem um monte de coisa séria pra pensar, um bando de coisa que não sente estar preparado para pensar agora. Definir coisas de viagem, lidar com a família, saber se tudo acabou com aquele rapaz. Então, se é preciso não pensar em problemas agora, um tempo só e gostoso é necessário.

O baseado está entre seus dedos, que ele leva até a boca e traga. A fumaça da maconha é muito mais branca e com um cheiro muito mais marcante do que o cigarro. Será que os vizinhos sentiriam?

Os problemas ainda não existem. Há fome, uma certa raivinha produzida por razões desconhecidas. Pensa nos anos que estão passando, e agora, perto de completar 20 anos, reavalia tudo que está acontecendo. Os laços que estão ficando distantes, os vícios que parecem estar mais fortes.

Sozinho há mais de um mês, gosta de tragar alguma coisa. O cigarro o acompanha, mesmo que seja pouco e impertinente diversas vezes.

Tira fotos de si mesmo pelado, como exercício de amor próprio, talvez? As apaga em seguida feliz com o resultado. 

Pensa que possivelmente está virando adulto, agora é um twenty, e não mais um nineteen, e perder esse teen poderia significar algo muito importante. Ele estava entrando pro hall dos vinte anos, onde as pessoas supostamente devem chegar ao sucesso (o de repente 30 hoje em dia é “de repente 25”).

Pronto, está pensando nos problemas. 

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