A mesa de estudos vira
um grande palco em homenagem à maconha, sedas, faquinha, fósforo. O olho é voraz
no celular e no computador. O quarto é pequeno, amarelado pela lâmpada. A
verdade é que ele tem um monte de coisa séria pra pensar, um bando de coisa que
não sente estar preparado para pensar agora. Definir coisas de viagem, lidar
com a família, saber se tudo acabou com aquele rapaz. Então, se é preciso não
pensar em problemas agora, um tempo só e gostoso é necessário.
O baseado está entre
seus dedos, que ele leva até a boca e traga. A fumaça da maconha é muito mais
branca e com um cheiro muito mais marcante do que o cigarro. Será que os vizinhos
sentiriam?
Os problemas ainda não
existem. Há fome, uma certa raivinha produzida por razões desconhecidas. Pensa nos anos que
estão passando, e agora, perto de completar 20 anos, reavalia tudo que está
acontecendo. Os laços que estão ficando distantes, os vícios que parecem estar mais
fortes.
Sozinho há mais de um
mês, gosta de tragar alguma coisa. O cigarro o acompanha, mesmo que seja pouco
e impertinente diversas vezes.
Tira fotos de si mesmo
pelado, como exercício de amor próprio, talvez? As apaga em seguida feliz com o
resultado.
Pensa que possivelmente
está virando adulto, agora é um twenty,
e não mais um nineteen, e perder esse
teen poderia significar algo muito
importante. Ele estava entrando pro hall dos vinte anos, onde as pessoas supostamente
devem chegar ao sucesso (o de repente 30 hoje em dia é “de repente 25”).
Pronto, está pensando
nos problemas.
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