segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Incertezas

Eu tenho tentado descobrir motivos para escrever, motivos reais e profundos, que fujam à regra dos meus demônios e preocupações constantes, quem sabe escrever sobre a felicidade ou coisas triviais e encantadoras. Levar a minha escrita a outros cantos da mente e do coração das pessoas.

Não sei se consigo, não sei se tenho esse dom. Na verdade estou em um momento em que tento avaliar tudo aquilo que sou bom, pois tenho 19 anos e ando perdido e um tanto quanto incomodado com a possibilidade de não ser muito bom em nada. A possibilidade de uma vida medíocre me aterroriza, contudo da mesma forma me pergunto o que é, de fato, uma vida medíocre.

Tenho medo de não ser um sucesso absoluto em alguma área? O que eu quero pra minha vida? Eu tenho essa mania de deixar perguntas em meus textos, mas é só porque gosto de deixar claro a meus leitores que não faço ideia do que estou fazendo, e que se eles estão perdidos, eu estou também. Se vocês estão nesse barco, eu to junto.

Tenho tentando ler mais, ver mais filmes, ir a lugares novos só pra ver se minha bolha aumenta e eu consigo ser realmente profundo e experiente pra escrever algo útil. Às vezes acho que tudo isso deveria ter sido feito na infância, tem toda uma explicação de Freud sobre como certas coisas podem tornar adultos criativos. Se isso for verdade, bom, meu tempo já passou e tudo isso aqui é uma grande perca de tempo. Caso não seja, pode ser que algum dia a qualidade do que escrevo melhore, a quantidade de leitores aumente e tudo comece a fazer algum sentido.

Estou com medo, pois não sei quais passos dar a seguir, está tudo em aberto. É tão assustador não ter o controle do que pode vir, deixar apenas que venha não é seguro para mim. E eu gosto de segurança, gosto dos braços firmes da vida ao meu lado me dizendo que tudo vai ficar bem e que o caminho já está feito. Mas não há nada disso, nunca houve. Nossos caminhos simplesmente vão se contornando e nós embarcamos, na escolhas que fazemos todos os dias.

Se você é mais velho, provavelmente estará rindo de minhas inseguranças agora ou, no pior dos casos, estará se identificando com os temores e isso não me ajuda, pelo contrário, só confirma que na verdade está tudo mundo no mesmo barco.

Eu sei que devo deixar o tempo passar, me aprimorar e ver como as coisas acontecem. Eu só não consigo ser tranquilo assim pra deixar a maré me levar de forma calma.
Em alguns anos teremos essa mesma conversa, e tudo estará diferente. Apenas espero que as coisas façam sentido nesse tempo, e que o medo de hoje seja a certeza do amanhã.


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