Eu quis sofrer por
amor, eu quis ser arrebatado por essas coisas que dizem que a gente sente
quando ama. Eu não entendo de amor. Sou sincero o suficiente pra rir de mim
mesmo e gritar que não entendo nada de amor. Mas eu quero amar. Eu já escrevi
infinitas vezes como eu amo demais, como há paixão dentro de mim que precisa
ser consumida. Mas eu não sei amar. Não sei amar porque não me deixam. Porque
todo esse amor que tem aqui dentro de mim, fica comigo mesmo. Então, não fui
arrebatado pelo amor, por mais que eu quisesse. Não fui, porque não me foi permitido.
Não fui, porque não deu tempo. Eu quis chorar no chão da cozinha, eu quis que
aquele álbum do Caetano fizesse sentido. Eu quis com plena consciência, chorar
por alguém na frente de um filme idiota, me jogar na cama achando que não há
mais sentido pra vida.
Mas eu não fiz nada
disso.
Eu não fiz, porque não
deixaram. Porque não deu tempo. E eu segui. Sem mandar uma mensagem falando o
quanto eu poderia amá-lo se ele deixasse. Eu segui sem falar muito bem sobre o
que eu sentia com meus amigos. Eu segui sem escrever as dezenas de textos
tristes e apaixonados que eu achei que escreveria, pra variar um pouco dos
textos sobre o vazio e sobre o nada que geralmente faço. Eu segui sem entender
poesia, sem me jogar no chão da cozinha, sem destruir minha vida acadêmica e
profissional porque só conseguiria pensar em alguém. Não. Eu nem liguei, eu não
sofri por amor, porque não me deixaram, porque não deu tempo.
A vida não parou de
fazer sentido. Eu não fui arrebatado. Continuo aqui, achando que não sei bem amar,
ou sei, mas não me deixam, não dá tempo.
O amor não é algo tão
universal quanto dizem, tem gente que... Simplesmente não entende.
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