Me peguei pensando em nós hoje, digo, no que a gente foi.
Não muita coisa eu sei, e isso já faz um ano. Um ano completo que, se nós nos
falamos, foi de uma maneira totalmente fria. Naquele agosto passado, em que nos
conhecemos, você foi doce, gentil, fácil de conversar. Interessante e me
arrisco a dizer, apaixonante. Naquele curto agosto, eu tentei sentir algo que
eu estava fadado a não esquecer, eu tentei viver algo que até agora, meses e
meses depois, ainda estou tentando sentir. Você apareceu em um momento sombrio
da minha vida, eu estava carente, me sentindo só, afastado das pessoas. Você
surgiu e me resgatou, mesmo que não soubesse, ou nem mesmo quisesse. Hoje, doze
meses depois, me lembro daquele inverno. E tento criar teorias e teorias para
minha falta de amor e esse vazio todo. Não me entenda mal, eu nunca te amei, eu
nunca me apaixonei por você, eu queria muito isso, mas não aconteceu, mas a
vida não se resume entre quem você se apaixonou ou não. Você foi especial. E me
machucou, mesmo que eu não te amasse, quando você partiu de mim. Nesse agosto
atual, eu estou só novamente, sem muita perspectiva também. Talvez mais maduro,
não, com certeza mais maduro, mas ainda só. E eu decidi olhar o que a gente
conversava. Olhei, e vi que nunca mais falei assim com ninguém, eu não entendi,
mas parecia impossível. Então, entendi, ou pelo menos acredito que sim. Você me
traumatizou. Estou meio perdido agora, longe de encontrar alguém especial,
impossibilitado, eu não consigo e acho que a culpa é toda sua. Hermético. Não
ando por aí depressivo ou triste, mas ando com um trauma de pessoas que se
mostram interessadas em mim. É possível que isso aconteça de novo? Você, por
mais que tenha desistido, fazia bem. Se isso acontecer, não cometerei os mesmos
erros, se o trauma permanecer, eu não sei. Talvez eu morra, talvez eu viva a
vida normalmente. Sem essa excitação que aconteceu naquele agosto.
“Você só me fez mudar,
Mas depois mudou de mim”.
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